Nesse final de semana, eu passei por uma situação bem interessante e decidi compartilhar aqui.
Havia me inscrito num torneio de tênis e, no sábado, fui para o primeiro jogo. Estava bem confiante e concentrado, porém, em razão do horário da partida, havia me alimentado apenas com frutas (essa é uma estratégia muito comum, pois o jogo é muito intenso e qualquer refeição atrapalha o desempenho).
Iniciada a partida, identifiquei os pontos fracos do adversário e, rapidamente, me sobressaí no jogo. Ganhei o primeiro set de 6x2.
O começo do segundo set, não foi diferente. Em 1h de jogo, estava ganhando de 5x1, ou seja, bastava vencer mais um único game (fazer 4 pontos no adversário) para eu me sagrar vencedor.
O jogo estava ganho, correto? Errado! A partir do 5x1, sofri com um intenso desgaste físico (câimbras das duas pernas e dores fortes no joelho) e o adversário soube aproveitar aquele momento de fraqueza.
Inacreditavelmente, passados 2h de jogo, perdi 6 games seguidos e fui derrotado no segundo set (5x7). Resisti o quanto pude e nem passou pela minha cabeça desistir.
Após uma pausa pra descanso de 2min, fomos pra o super tie-break (set final - vence quem fizer 10 pts primeiro).
Meu mental estava completamente abalado, a confiança havia acabado e a condição física nem se fala. Resultado? Perdi novamente (5x10) e deixei passar a chance de vencer a partida, que, apesar de não ter sido fácil, estava totalmente controlada e favorável à mim.
Pra tornar a coisa mais compreensível, é como se o Brasil tivesse virado o jogo pra cima da Alemanha na copa de 2014. Era possível, embora não fosse crível.
Horas após essa derrota trágica, eu precisava recolocar a cabeça no lugar, pra encarar a segunda partida do dia.
Nesse momento, sim, não queria prosseguir nem no tênis, que dirá no jogo seguinte. Abalo total!
Ah, mas é só um joguinho. Sim! Porém, eu costumo empregar o meu melhor em tudo que me disponho a fazer. No esporte, não seria diferente (recomendo que façam o mesmo).
O duro era encontrar um fórmula mágica pra, em tão pouco tempo, virar a chave e esquecer tudo o que tinha acabado de acontecer.
Iniciado o segundo jogo, dei um resete na cabeça, recuperei minimamente as energias e o físico e, em pouco mais de 1h, venci os 2 sets com duplo 6x1. Admito que, quanto estava 5x1 no segundo set, deu uma tremedeira nas pernas. rsrs
Enfim, o que eu quero passar nesse relato é a lição de que muitas vezes somos os nossos próprios demônios. A despeito dos problemas físicos, pesou o aspecto psicológico pra seguir meu jogo - vitorioso até aquele instante - quando o adversário se aproximava no placar. Faltou ainda a mentalidade para, em tempo, encarar aquela situação racionalmente, enxergar e corrigir os erros.
Sem tirar os méritos do adversário, grande parte dessa derrota veio de mim mesmo.
Podemos tranquilamente levar essa experiência também pra nossa vida pessoal e profissional. Às vezes nos envolvemos demasiadamente com as dificuldades ao invés de simplesmente seguir e resolver.
Não é uma tarefa fácil, mas, da mesmo forma que você construiu um campo minado na sua cabeça, só você pode rechaçá-lo.