@Aliberman 20km de média está excelente. Ainda mais em se considerando suas outras atividades.
Parabéns.
Vou contar sobre mim, talvez sirva pra você.
Eu me considero um pato nos esportes.
Pato voa, nada e anda, mas não faz essas coisas de forma excelente. Faz tudo meia boca, mas faz. Faz do jeito que dá. Dá certo, muito embora não seja bonito.
A galinha anda bem, mas não nada.
Passarinho voa bem, mas não anda direito.
Na minha idade, pra lá dos 40, eu não tenho paixão por um único esporte, gosto de tudo, nunca escolhi e sempre vou agregando. Para mim é muito chato fazer uma coisa só, não consigo, canso daquilo e paro. Gosto de fazer várias coisas que me dão prazeres e canseiras diferentes.
Pela idade, trabalho, responsabilidades em casa e no trampo, logo percebi que não daria pra ser o melhor em nenhum esporte, mesmo que eu me dedicasse só a ele.
Então, eu escolhi ser o pato: pedalo, luto, corro, vou à academia, tudo meia boca, tudo do jeito que dá, do jeito que eu consigo, dá certo, muito embora não seja bonito, muito embora eu não conquiste as primeiras colocações, muito embora os gordinhos me ultrapassem.
Me sinto feliz com essa variedade de esportes, apesar de meu rendimento não ser como o da galinha ou o do passarinho, me sinto bem fazendo de tudo.
Eu não me comparo aos outros, porque eu sei que os outros não têm a mesma rotina, e porque seria um suicídio.
Eu foco no conjunto da obra, e não no resultado comparativo ao dos colegas. A constância está na prática, e não no resultado.
Sempre que sou ultrapassado, ou superado eu reflito: "quantos rounds essas pessoas lutaram hoje?" "quantos burpee fizeram essa semana?".
Não é questão de achar desculpas, ou menosprezar o sucesso dos outros, é questão de observar o próprio limite, porque, na nossa idade, uma lesão vai demorar muiiiiiiito para sarar, então, vamos com calma.
Parece uma contradição, mas eu encaro os esportes sempre pelo lado recreativo, nunca competitivo.
Então, as médias de km pra mim não indicam nada.
Se eu pedalei 10km/h mas foi ao lado de pessoas legais, com vistas incríveis, me sinto muito melhor do que os pedais de 20, 25, 30 km/h sozinho que extenuam o corpo, mas nem sempre a mente, e nem sempre eu olhei para o horizonte e curti o momento.
Se eu fui finalizado cinco vezes numa mesma luta, mas isso aconteceu por causa do cansaço, eu pratico a caridade de me perdoar, e convivo bem. Se essas cinco finalizações decorreram da melhor técnica do adversário, eu me sinto ainda melhor, porque eu aprendo mais defesas, mais cuidados da próxima vez.
AGORA, se eu finalizei cinco vezes numa mesma luta, mas foi pelo cansaço do outro, ou pela falta de técnica do oponente, eu não me sinto tão feliz quanto na primeira hipótese.
Eu não acho que meu crescimento vem de superar o outro, mas da constância, do "todo dia tô aqui", "toda semana tô aqui", "todo mês tô aqui".
Nessa altura da vida deixei o espírito competitivo de lado.
Adotei o espírito colaborativo (no sentido de entender e aceitar as limitações naturais da idade e colaborar comigo mesmo me adaptando sem quebrar).
O resultado tem sido positivo a longo prazo.
Em alguns dos esportes que eu pratico, sou o mais longevo da turma.
Os especialistas vão caindo, se machucam, enjoam.
Tem muita gente que, na primeira decepção larga tudo, porque focou no resultado daquele único esporte, e não na constância.
Espero que aproveite.
#6 de 8