Aqui na cidade tem um morro que chama "café quente". A primeira vez que fui lá um amigo chamou e falou: "vamos, hoje vamos no café quente". Eu fui achando que era uma venda de roça. O espírito preparado pra mandar um pão de queijo e um café com leite quente. Chegou lá e na real era essa subida ferrada. A estrada principal vai circulando a montanha. Mas o café quente sobe 2 km praticamente em linha reta. Um "atalho". O caminho tem erosão de chuva, galhos e é brabo, passa por dentro de um cafezal. Antes de começar a subida do café quente você sobe 2 km suaves antes, então já não chega lá 100%.
Hoje depois de muito tempo resolvemos ir lá. Uma parada antes para tomar um fôlego e sebo nas canelas. Um companheiro foi na frente. Passou menos de um minuto e ele começou a gritar com o esforço. Foi engraçado e caí na bobagem de olhar pra cima pra dar umas risadas. A cabeça já não estava boa e quando a cabeça tá ruim você não pode olhar o caminho. Já veio o vislumbre da subida e o pensamento do tanto que ainda tinha que subir. Olhei pro chão e soca a bota no pedal pra não falhar a cabeça. Tudo doía. O pulmão doía, os braços doíam, a coxa doía. Fazia tempo que a vontade de desistir não batia tão forte quanto bateu hoje.
Olhar pro chão e socar a bota é um belo remédio. Chamei o mantra da Dori: "continue a nadar". O café quente fica mais suave depois dos primeiros topzinhos. A cabeça foi aliviando de pensar que ia passar. Que ia acabar.
O café quente ainda vai me vencer um dia. Mas esse dia ainda não chegou.