L'Etape Brasil - Campos do Jordão 2023
Era dia 19 de janeiro deste, e fiz minha inscrição para o L'Etape de Campos do Jordão. Fiquei na dúvida por uns minutos se iria no percurso curto, de 66km, ou no longo, de 107km e 2.100m de altimetria. Pensei "Já que é pra sofrer, que seja no longo", e assim foi.
Eu moro perto da cidade então consegui ir fazer o percurso algumas vezes antes da prova, algumas vezes só no giro flow, outras simulando a prova, com hidratação, alimentação, etc.
Chega o final de semana da prova. Sábado a tarde e a cidade está respirando o ciclismo! Fotos no Village e com o cara doidão vestido de diabo que é símbolo do Tour, souvenirs comprados... e um belo prato de massa para carregar os carboidratos para o dia seguinte.
A noite foi mal dormida, é claro, ansioso com a prova, e também pq a pousada ficava perto de uma balada.
Café devidamente tomado, vou para o meu bolsão, largada as 6:15. Tudo acontecendo exatamente no horário!
LARGADA! E logo depois, já começa o temido Pico do Itapeva. Subo cadenciado, tudo controlado, ritmo bom! Ainda faltando 5km pra chegar no topo, já vejo o pelotão da elite descendo, grito "Meu Deus, esses caras são malucos"… primeiro e último contato com o pelotão da frente. Chego no pico, retorno e já desço direto, não é hora de parar no ponto de hidratação ainda. Desço o pico do Itapeva quebrando todos os meus PRs nos segmentos, e chego na cidade novamente. Encaixo em um pelote bom, nem todos queriam revezar na frente, mas fomos fazendo o que dava.
Descida da Serra Nova, que delícia descer a serra com a via fechada só para ciclistas, cheguei a 85km/h nessa descida, meu recorde de velocidade.
Chegada em Santo Antônio do Pinhal, olho no GPS, nem 1h de prova, e com média acima de 31, tudo indo muito bem. Primeira subida pra chegar em Santo Antônio, muita gente já começa a quebrar, alguns já com cãibras.
Estradinha até chegar na SP-50 fluída demais, novo pelote formado, revezamento fluiu!
Chegada no temido Machadinho e Lageado! Subidas muito fortes, e o sol já começava a castigar. Sobe, desce, sobe, desce... machucou bem, mas tudo indo conforme o esperado. Gel e hidratação repostos, sigo colocando um ritmo bom até chegar nela...
A Serra Velha de Campos, a famosa. Nessa hora, atletas do percurso longo e curto estão juntos, estrada cheia. E começo a subida, serão 12km subindo. As pernas já estavam dando sinais de cansaço, mas sigo no meu ritmo, sabia que se puxasse mais, o motor estourava e já era, teria que me arrastar até o final, então entra novamente o planejado. Marcha X, potência Y, BPM Z, olha pra baixo e vai... sobe, sobe, sobe, e sobe mais. Teve uma hora que olhei em volta, devia ter 20 ciclistas, e um silêncio estava no ar, só o som das correntes girando, cabeças baixa. Acho que cada um estava pensando na vida, no motivo por fazermos isso. Prossigo... já havia decorado as curvas do final da Serra devido aos treinos antes da prova, e já sabia... Vira pra esquerda, depois pra direita, e acabou! Recebo um tapa nas costas, um cara agradece pela ajuda no final da Serra, pelo ritmo... e eu nem sabia que estava ajudando alguém, só queria que a subida terminasse.
Pronto, agora são 7km de descida até chegar na linha de chegada. Sento o pé nesses últimos km, sinto uma satisfação enorme. Passo a linha de chegada!
Comemoro, me emociono, choro de alegria e satisfação. Todo ciclista sabe o esforço necessário para conseguir finalizar bem uma prova dessas. Sigo mais pra frente, namorada já estava a postos com a câmara fotográfica! Medalha no peito e sensação de missão cumprida.
Nem me importei com a posição final, mas sei que fiquei entre os 50% primeiros da minha categoria.
E saí com a certeza que ano que vem estarei lá novamente, se tudo der certo!
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