Esse tópico foi criado no intuito de conscientização da importância do exercício físico na prevenção de quedas em idosos, o conteúdo descrito aqui foi retirado da pesquisa realizada para o trabalho interdisciplinar que desenvolvemos e apresentamos no final do ano de 2025 para uma banca de professores na graduação de educação física ,o qual estou cursando.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera um idoso quando ele apresenta a idade superior a 60 anos, para moradores de países de terceiro mundo e em desenvolvimento, e de 65 anos, para moradores de países subdesenvolvidos (Menezes,
et al., 2018). No Brasil, de acordo com o Estatuto da pessoa Idosa (Lei n° 14.423/22), são consideradas pessoas idosas o que possuem idade igual ou superior a 60 (sessenta) anos.
No último Censo de 2022, do IBGE, a população idosa do Brasil com 60 anos ou mais era de 32.113.490 (Trinta e dois milhões, cento e treze mil e quatrocentos e noventa) de um uma população total de 203.080.756 (duzentos e três milhões, oitenta mil e setecentos e cinquenta e seis) isso representa 15,6% da população, com isso o percentual da população idosa ultrapassou os 14,8% dos jovens entre 15 e 24 anos.
Figura 1 – População do Brasil

Fonte: IBGE, 2022 (Modificado pelo autor)
As projeções de estimativa da População, segundo o IBGE, indicam que em 2070, cerca de 37,8% dos habitantes do país serão de pessoas idosas, o que corresponderá a 75,3 milhões de pessoas com 60 anos ou mais de idade.
Figura 2 – Projeção de Crescimento população Idosa

Fonte: IBGE, 2022 (Modificado pelo autor)
Com o aumento da expectativa de vida, que passou a ser na média de 76,4 anos (IBGE,2024), devido, aos avanços da medicina, o grupo de idosos é considerado o subgrupo de crescimentos mais rápidos, consequentemente com o avanço da idade ocorrem também algumas alterações no corpo humano, dentre eles, podemos citar a Sarcopenia, que é a perda generalizada e progressiva da força e massa muscular (Diz
et al,.2015, p.666). Essas alterações no corpo sofridas com o envelhecimento contribuem para os casos de quedas nos idosos, pois a maioria das quedas, são decorrentes de uma série de fatores como as suas condições de saúde, as do meio ambiente. (Silva, 2014).
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Segundo o relatório global sobre prevenção de quedas na velhice (Secretaria de Estado da Saúde, 2010), “Aproximadamente 28% a 35% das pessoas com mais de 65 anos de idade sofrem quedas a cada ano (2-4), subindo essa proporção para 32% a 42% para as pessoas com mais de 70 anos (5-7)”. Elas representam um dos principais problemas da população idosas. O Medo de cair é uma das consequências comuns das quedas, mas também pode ser causa delas. (Camargo
et al. 2010).
De acordo com Sá
et al. (2011, p.2118), “As quedas devem ser valorizadas, pois são importantes causa de mortalidade e morbidade entre idosos. Estão associadas a lesões, principalmente fraturas, gerando aumento de despesas com hospitalização e tratamento em longo prazo, e apresentam algo impacto na qualidade de vida”.
No Brasil, o Departamento de informações do SUS (DataSUS) desenvolveu uma plataforma que permite a realização de tabulações cruzando diversas variáveis da base de dados do SUS, chamado de TABNET. A partir do cruzamento dessas variáveis é possível obter dados reais sobre números de internações, óbitos, custos de acordo com região, faixas etárias, sexo entre outros.
A pesquisa realizada nessa base de dados foi fundamental para avaliar o crescimento no número de casos de quedas nos idosos e os custos ao SUS nos primeiros semestres dos três últimos anos. As variáveis utilizadas foram as selecionadas e descritas a seguir.
Figura 3 – Seleção de variáveis

Fonte: TABNET, DATASUS
Conforme os parâmetros utilizados na pesquisa, os resultados obtidos foram inseridos em uma tabela para a realização de um comparativo de números de quedas e os custos das internações nos primeiros semestres dos anos de 2023, 2024 e 2025.
Tabela 1 –Número de internações e custos no SUS nos primeiros semestres de 2023, 2024 e 2025

Fonte: DATASUS (Modificado pelo autor)
Os registros apontaram que o número de internações por quedas teve um aumento de aproximadamente 33% se comparados entre os anos de 2023 (16556) e 2025 (22067), conforme a figura 4 abaixo.
Figura 4 –Quantidade de internações nos primeiros semestres de 2023, 2024 e 2025.

Fonte: DATASUS (Modificado pelo autor)
Em relação aos custos totais para o SUS com as internações houve um aumento de um pouco mais de 69% no comparativo entre os anos de 2023 (R$ 29.669.166,57) e 2025 (R$ 50.209.044,27), conforme a figura 5.

Figura 5 –Comparativo dos custos totais nos primeiros semestres de 2023, 2024 e 2025
Fonte: DATASUS (Modificado pelo autor)
Diante do exposto, fica evidente que é necessária uma atuação nessa para que seja possível reduzir o avanço nos casos de quedas em todo o território nacional.
A prevenção de quedas é de suma importância por ter o objetivo de reduzir a mortalidade, a morbidade e os custos hospitalares que elas causam. A vantagem da prevenção é melhorar a saúde e o bem-estar dos idosos como um todo através de estratégias e práticas de exercícios físicos que reduzem o índice de quedas.
Para corroborar com a importância do exercício físico, Chittrakul
et al., (2020, p.1-5) em seu ensaio controlado randomizado, fez uma intervenção com 72 idosos, divididos em dois grupos com 36 idosos para cada (Grupo de Controle e Grupo de exercícios multisistema (EMP)). No grupo de Controle os idosos receberam treinamento por 12 semanas, três sessões por semana. No grupo (EMP), eles tiveram três sessões de treinos na semana durante 12 semanas. Cada sessão de treinamento possuía a duração de 60 minutos (10 Minutos aquecimento e 5 minutos de resfriamento no final). O programa possui 4 partes: Treinamento de propriocepção, treinamento de força, treinamento de reação e treinamento de equilíbrio postural. Conforme figura abaixo.
Figura 6 – Exercícios multissitema

Fonte: Chittrakul, 2020
Os resultados indicaram que houve uma redução nos scores de quedas no grupo EMP. Após 12 semanas de intervenção verificou-se que o grupo EMP tinha um nível de baixo risco, enquanto as pessoas no grupo controle estavam em risco moderado. Após 24 semanas de intervenção, verificou-se que o grupo controle era um risco acentuado, mas o grupo intervenção estava em risco moderado, conforme figura 7.
Figura 7 – Resultados do estudo científico

Fonte: Chittrakul, 2020
Os dados obtidos dos testes realizados foram inseridos no Software NeuRA FallScreen, que é uma avaliação do risco de queda baseada na Avaliação do Perfil Fisiológico do Professor Stephen Lord (PPA).[1]
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O Professor Lord é um pesquisador com mais de 30 anos de experiência pesquisando avaliações de risco de quedas e estratégia de prevenção. O NeuRA FallScreen contém todo o equipamento necessário para realizar os testes Um outro estudo feito por Zahedian
et al. (2021, p. 02) realizado com 60 idosos, residentes em casas de repouso, divididos em dois grupos de controle e Xbox. Os participantes do grupo de intervenção (Xbox) receberam exercícios de realidade virtual (RV) no Xbox Kinect, realizados em duas sessões de 30 a 45 minutos que ocorria semanalmente pelo período de 6 semanas, os jogos que foram selecionados incluíram penalidade, goleiro, esqui e dardos.
Os indivíduos do grupo controle, por outro lado, receberam exercícios de rotina dos lares de idosos. Os instrumentos de pesquisa utilizados neste estudo incluíram um questionário demográfico, a Berg Balance Scale (BBS), o teste Timed Up and Go (TUG) e a Escala de Eficácia de Queda (FES). Os resultados demonstraram que os scores relacionados aos índices de equilíbrio melhoraram significativamente, conforme figura 8.
Figura 8 – Resultados do estudo (Xbox)

Fonte: Zahedian et al., 2021
O teste BBS, é uma pesquisa que contém 14 itens respondidos com base em uma escala de cinco pontos, na qual quatro indicava a melhor execução e zero demonstravam a pior execução. O Score total é a soma dos valores obtidos nos 14 itens e pode variar de 0 a 56. A Classificação é: Pontuação de 0 a 20 representa prejuízo do equilíbrio, 21 a 40 equilíbrio aceitável e 41 a 56 um bom equilíbrio. Após a intervenção, a pontuação do equilíbrio passou de 36.9 para 40.4.
O teste de TUG (Timed Up and Go), é uma avaliação clínica rápida e simples que mede a mobilidade funcional e o risco de quedas. Durante o teste, um cronômetro mede o tempo que a pessoa leva para se levantar de uma cadeira, caminhar 3 metros, virar-se, voltar e sentar-se novamente encostando as costas na cadeira. Após a intervenção, a média do tempo que era de 15,3s baixou para 13,0s.
Diante dessa pequena exposição realizada, ficaram demonstrados que os efeitos do exercício física é benéfico e válido como tratamento preventivo no risco de quedas em Idosos, há outros estudos que demonstram tais benefícios. É importante salientar que é necessário que haja um acompanhamento especializado durante a realização dos exercícios, e isso é uma função para o Profissional de Educação Física.