Prevenção de Quedas em Idosos por meio do Exercício Físico e os impactos econômicos no SUS | 11 respostas

Prevenção de Quedas em Idosos por meio do Exercício Físico e os impactos econômicos no SUS

@Kratos_Gow
em 12/01/2026 08:20
Esse tópico foi criado no intuito de conscientização da importância do exercício físico na prevenção de quedas em idosos, o conteúdo descrito aqui foi retirado da pesquisa realizada para o trabalho interdisciplinar que desenvolvemos e apresentamos no final do ano de 2025  para uma banca de professores na graduação de educação física ,o qual estou cursando. 

A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera um idoso quando ele apresenta a idade superior a 60 anos, para moradores de países de terceiro mundo e em desenvolvimento, e de 65 anos, para moradores de países subdesenvolvidos (Menezes, et al., 2018). No Brasil, de acordo com o Estatuto da pessoa Idosa (Lei n° 14.423/22), são consideradas pessoas idosas o que possuem idade igual ou superior a 60 (sessenta) anos.

No último Censo de 2022, do IBGE, a população idosa do Brasil com 60 anos ou mais era de 32.113.490 (Trinta e dois milhões, cento e treze mil e quatrocentos e noventa) de um uma população total de 203.080.756 (duzentos e três milhões, oitenta mil e setecentos e cinquenta e seis) isso representa 15,6% da população, com isso o percentual da população idosa ultrapassou os 14,8% dos jovens entre 15 e 24 anos.
Figura 1 – População do Brasil


Fonte: IBGE, 2022 (Modificado pelo autor)
As projeções de estimativa da População, segundo o IBGE, indicam que em 2070, cerca de 37,8% dos habitantes do país serão de pessoas idosas, o que corresponderá a 75,3 milhões de pessoas com 60 anos ou mais de idade.
Figura 2 – Projeção de Crescimento população Idosa



Fonte: IBGE, 2022 (Modificado pelo autor)
Com o aumento da expectativa de vida, que passou a ser na média de 76,4 anos (IBGE,2024), devido, aos avanços da medicina, o grupo de idosos é considerado o subgrupo de crescimentos mais rápidos, consequentemente com o avanço da idade ocorrem também algumas alterações no corpo humano, dentre eles, podemos citar a Sarcopenia, que é a perda generalizada e progressiva da força e massa muscular (Diz et al,.2015, p.666).  Essas alterações no corpo sofridas com o envelhecimento contribuem para os casos de quedas nos idosos, pois a maioria das quedas, são decorrentes de uma série de fatores como as suas condições de saúde, as do meio ambiente. (Silva, 2014).
.

Segundo o relatório global sobre prevenção de quedas na velhice (Secretaria de Estado da Saúde, 2010), “Aproximadamente 28% a 35% das pessoas com mais de 65 anos de idade sofrem quedas a cada ano (2-4), subindo essa proporção para 32% a 42% para as pessoas com mais de 70 anos (5-7)”. Elas representam um dos principais problemas da população idosas. O Medo de cair é uma das consequências comuns das quedas, mas também pode ser causa delas. (Camargo et al. 2010).

De acordo com Sá et al. (2011, p.2118), “As quedas devem ser valorizadas, pois são importantes causa de mortalidade e morbidade entre idosos. Estão associadas a lesões, principalmente fraturas, gerando aumento de despesas com hospitalização e tratamento em longo prazo, e apresentam algo impacto na qualidade de vida”.

No Brasil, o Departamento de informações do SUS (DataSUS) desenvolveu uma plataforma que permite a realização de tabulações cruzando diversas variáveis da base de dados do SUS, chamado de TABNET. A partir do cruzamento dessas variáveis é possível obter dados reais sobre números de internações, óbitos, custos de acordo com região, faixas etárias, sexo entre outros.
A pesquisa realizada nessa base de dados foi fundamental para avaliar o crescimento no número de casos de quedas nos idosos e os custos ao SUS nos primeiros semestres dos três últimos anos. As variáveis utilizadas foram as selecionadas e descritas a seguir.
Figura 3 – Seleção de variáveis



Fonte: TABNET, DATASUS
Conforme os parâmetros utilizados na pesquisa, os resultados obtidos foram inseridos em uma tabela para a realização de um comparativo de números de quedas e os custos das internações nos primeiros semestres dos anos de 2023, 2024 e 2025.

Tabela 1 –Número de internações e custos no SUS nos primeiros semestres de 2023, 2024 e 2025



Fonte: DATASUS (Modificado pelo autor)

Os registros apontaram que o número de internações por quedas teve um aumento de aproximadamente 33% se comparados entre os anos de 2023 (16556) e 2025 (22067), conforme a figura 4 abaixo.
 Figura 4 –Quantidade de internações nos primeiros semestres de 2023, 2024 e 2025.


Fonte: DATASUS (Modificado pelo autor)
Em relação aos custos totais para o SUS com as internações houve um aumento de um pouco mais de 69% no comparativo entre os anos de 2023 (R$ 29.669.166,57) e 2025 (R$ 50.209.044,27), conforme a figura 5.


Figura 5 –Comparativo dos custos totais nos primeiros semestres de 2023, 2024 e 2025

Fonte: DATASUS (Modificado pelo autor)

Diante do exposto, fica evidente que é necessária uma atuação nessa para que seja possível reduzir o avanço nos casos de quedas em todo o território nacional.

A prevenção de quedas é de suma importância por ter o objetivo de reduzir a mortalidade, a morbidade e os custos hospitalares que elas causam. A vantagem da prevenção é melhorar a saúde e o bem-estar dos idosos como um todo através de estratégias e práticas de exercícios físicos que reduzem o índice de quedas.
Para corroborar com a importância do exercício físico, Chittrakul et al., (2020, p.1-5) em seu ensaio controlado randomizado, fez uma intervenção com 72 idosos, divididos em dois grupos com 36 idosos para cada (Grupo de Controle e Grupo de exercícios multisistema (EMP)). No grupo de Controle os idosos receberam treinamento por 12 semanas, três sessões por semana. No grupo (EMP), eles tiveram três sessões de treinos na semana durante 12 semanas. Cada sessão de treinamento possuía a duração de 60 minutos (10 Minutos aquecimento e 5 minutos de resfriamento no final). O programa possui 4 partes: Treinamento de propriocepção, treinamento de força, treinamento de reação e treinamento de equilíbrio postural. Conforme figura abaixo.
Figura 6 – Exercícios multissitema



Fonte: Chittrakul, 2020
Os resultados indicaram que houve uma redução nos scores de quedas no grupo EMP. Após 12 semanas de intervenção verificou-se que o grupo EMP tinha um nível de baixo risco, enquanto as pessoas no grupo controle estavam em risco moderado. Após 24 semanas de intervenção, verificou-se que o grupo controle era um risco acentuado, mas o grupo intervenção estava em risco moderado, conforme figura 7.
Figura 7 – Resultados do estudo científico


Fonte: Chittrakul, 2020
Os dados obtidos dos testes realizados foram inseridos no Software NeuRA FallScreen, que é uma avaliação do risco de queda baseada na Avaliação do Perfil Fisiológico do Professor Stephen Lord (PPA).[1]
[1] O Professor Lord é um pesquisador com mais de 30 anos de experiência pesquisando avaliações de risco de quedas e estratégia de prevenção. O NeuRA FallScreen contém todo o equipamento necessário para realizar os testes
 

Um outro estudo feito por Zahedian et al. (2021, p. 02) realizado com 60 idosos, residentes em casas de repouso, divididos em dois grupos de controle e Xbox. Os participantes do grupo de intervenção (Xbox) receberam exercícios de realidade virtual (RV) no Xbox Kinect, realizados em duas sessões de 30 a 45 minutos que ocorria semanalmente pelo período de 6 semanas, os jogos que foram selecionados incluíram penalidade, goleiro, esqui e dardos.

Os indivíduos do grupo controle, por outro lado, receberam exercícios de rotina dos lares de idosos. Os instrumentos de pesquisa utilizados neste estudo incluíram um questionário demográfico, a Berg Balance Scale (BBS), o teste Timed Up and Go (TUG) e a Escala de Eficácia de Queda (FES). Os resultados demonstraram que os scores relacionados aos índices de equilíbrio melhoraram significativamente, conforme figura 8.
Figura 8 – Resultados do estudo (Xbox)


Fonte: Zahedian et al., 2021
O teste BBS, é uma pesquisa que contém 14 itens respondidos com base em uma escala de cinco pontos, na qual quatro indicava a melhor execução e zero demonstravam a pior execução. O Score total é a soma dos valores obtidos nos 14 itens e pode variar de 0 a 56. A Classificação é: Pontuação de 0 a 20 representa prejuízo do equilíbrio, 21 a 40 equilíbrio aceitável e 41 a 56 um bom equilíbrio.  Após a intervenção, a pontuação do equilíbrio passou de 36.9 para 40.4.

O teste de TUG (Timed Up and Go), é uma avaliação clínica rápida e simples que mede a mobilidade funcional e o risco de quedas. Durante o teste, um cronômetro mede o tempo que a pessoa leva para se levantar de uma cadeira, caminhar 3 metros, virar-se, voltar e sentar-se novamente encostando as costas na cadeira. Após a intervenção, a média do tempo que era de 15,3s baixou para 13,0s.

Diante dessa pequena exposição realizada, ficaram demonstrados que os efeitos do exercício física é benéfico e válido como tratamento preventivo no risco de quedas em Idosos, há outros estudos que demonstram tais benefícios. É importante salientar que é necessário que haja um acompanhamento especializado durante a realização dos exercícios, e isso é uma função para o Profissional de Educação Física.
 
 
 
 
 
 
 
 
@Mauro
em 12/01/2026 10:00
#1 de 11
@Mauro
em 12/01/2026 10:03
#2 de 11
@Kratos_Gow
em 12/01/2026 10:29


postado por @Mauro em 12/01/2026 10:03

@Kratos_Gow

uma dúvida:

no segundo parágrafo, considerado "idoso" acima de "65 anos" não seria em países "desenvolvidos"?

pois antes fala de 3º Mundo, países em desenvolvimento, mas no fim 65 anos para subdesenvolvidos (que seria 3º mundo, não?)

não fala de países "desenvolvidos", o que acho que seria estes 65 anos, por terem melhores condições de vida.

Sim, está invertida a ordem. Acho que foi no momento da minha escrita.

Países desenvolvidos =  65+

Subdesenvolvidos ou em desenvolvimento = 60+
#3 de 11
@Kratos_Gow
em 12/01/2026 10:38


postado por @Mauro em 12/01/2026 10:00

@Kratos_Gow

Muito bom, obrigado pelo estudo.

Na minha ótica, além de idosos (e pessoas em geral) não fazerem musculação, quando fazem geralmente são exercícios sentados, apoiados ou em máquinas.

SIM, para o idoso é mais fácil e seguro fazer exercícios "apoiado", "sentado", "em máquinas".

Mas se não trabalhar alguns exercícios que promovam equilíbrio ou, mesmo específicamente, exercícios voltados a melhorar o equilíbrio, também corre risco de ter força muscular mas cair.

Indico para idosos, fazer exercícios de equilíbrio sob supervisão de profissional capacitado.

Digo isso pois os três pontos base para equilíbrio começam a funcionar pior na velhice:
- visão (mesmo de óculos diminui a noção espacial)
- propriocepção (sensibilidade principalmente nos pés, ainda mais para quem é diabético, é reduzida)
- labirinto (inflamações, labirintite, funcionamento deficiente do Labirinto, tem mais chances de acontecer quanto mais vivemos)

Bem observado, Mauro.

Não é apenas fazer exercício, é necessário ter um acompanhamento e por alguém que tenha expertise com o público-alvo e tenha essa visão que você frisou sobre a questão do equilíbrio e essa pesquisa que fizemos, também observamos isso e apontamos.

Para corroborar com o que estamos discutindo, o estudo de Perin et al. (2025), que tem o objetivo de analisar a relação entre a prática de atividade física e os níveis de equilíbrio em idosos institucionalizados, realizou um teste com 58 idosos utilizando o Teste de passos de Fukuda-Unterberger, onde um tapete, fixado ao solo, contendo círculos concêntricos (Raios de 10 a 100cm)  e marcações angulares (0°, 45° e 90°). Cada participante era posicionado no centro do tapete de olhos fechados e braços estendidos a frente do corpo e era solicitado que realizasse 50 passos no lugar, elevando os joelhos a aproximadamente 45°. Eram classificados “com desequilíbrio”, os que fizesse um deslocamento superior a 20cm, e “sem desequilíbrio” com deslocamento de até 20cm).



Os resultados deste estudo apontaram que 51 Idosos (87,9%) de um total de 58, apresentaram desequilíbrio, mesmo realizando as atividades físicas recomendadas pela instituição, reforçando que a simples prática de atividade física, sem controle sobre intensidade, frequência e especificidade, não é suficiente para impactar positivamente o equilíbrio postural que é importante para evitar as quedas.
#4 de 11
@Mauro
em 12/01/2026 12:47
#5 de 11
@Kratos_Gow
em 12/01/2026 12:58


postado por @Mauro em 12/01/2026 12:47

adorei o tapete.
eu fazia teste de equilíbrio parecido (menos rebuscado, sem tapete e sem esticar braços)

quase totalidade das pessoas acima de 50 anos (era meu público alvo) saía do lugar em distância do centro e/ou rotação de eixo já com 10 passos com cada perna (bate com o resultado citado por vc)

um que é legal também é andar em linha reta, mas com um pé exatamente na linha à frente do outro e devagar - a maioria desequilibra pro lado, quase cai.

o que vc citou sobre exercícios de equilíbrio é REALMENTE importante para pessoas com mais idade.

crianças e adolescentes NORMALMENTE fazem atividades que já trabalham equilíbrio (esportes, montanha, areia, terreno irregular etc...)

 

Isso!

Creio que seja o público que pretendo trabalhar quando me formar.
#6 de 11
@Mauro
em 12/01/2026 13:27
#7 de 11
@Kratos_Gow
em 12/01/2026 15:27


postado por @Mauro em 12/01/2026 13:27

que legal !!!

é muito trabalho, preocupação, atenção ao que pode dar errado - pois "tende" a dar errado.
mas dá MUITO retorno profissional x emocional

eles ficam MUITO gratos por tratarmos deles.


Sim, meu objetivo é ver a mudança na qualidade de vida deles e proporcionar a independência deles o máximo que puderem.

Esse mesmo trabalho nos proporcionou uma intervenção em um grupo de 60+ que faz exercícios físicos gratuitos proporcionados pela prefeitura da minha cidade com acompanhamento de um profissional que é um dos meus professores da faculdade e lá pudemos ver na prática que tem todo um acompanhamento antes da prática (Aferição de pressão e glicemia) e só são liberados se as taxas estiverem ok. Na disciplina ele contou a experiência que ele vivencia todos os dias e fomos ver na prática. O acompanhamento com os idosos deve ser algo muito sério e tem que amar o que gosta de fazer, são grupo de risco e qualquer atividade prescrita de forma equivocada pode ser prejudicial para ele. Nas academias que frequento os profissionais que acompanham esses públicos não vejo cuidando muito dessa parte, a maioria já tem comorbidades e são dependentes de remédios e precisa entender a situação de cada um e avaliar se estão tomando os remédios certinhos para controlar tais comorbidades, se estão se alimentando antes de praticar atividades, se estão ingerindo água.. é todo um processo, mas é válido.
Se for só pelo dinheiro é melhor não fazer!
#8 de 11
@Mauro
em 12/01/2026 17:18
#9 de 11
@Kratos_Gow
em 12/01/2026 17:22


postado por @Mauro em 12/01/2026 17:18

isso mesmo :)
só pelo dinheiro a gente acaba triste.

o mais legal é quando conseguimos reverter alguma coisa.

por exemplo, diminuir  quantidade de medicamento para colesterol ou PA, devolver movimentos que perderam como levantarem da cadeira sozinhos ou do chão, amarrar o sapato ou abrir uma garrafa, coisas simples assim.

se achar interessante e tiver tempo, pede pro seu professor para acompanhar o trabalho dele alguns dias, assim vc ja vai pegando experiência com este grupo, pois "na pratica, a teoria é outra" :)

Eu já falei com ele, vou fazer meu primeiro estágio obrigatório lá no proximo mês  com ele pra vivenciar a experiência com quem faz o que gosta.. 
#10 de 11
@Mauro
em 12/01/2026 17:43
#11 de 11

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