Para quem está planejando a mudança ou tem curiosidade sobre a vida de expatriado na Alemanha, resolvi compartilhar um resumo bem prático de como as coisas funcionam por aqui na vida real, morando em uma região central e trabalhando no mundo corporativo.
Aluguel e Bairro: Moro bem no centro, com acesso a pé a mercados, farmácias, médicos e lazer. A temida "saga do aluguel" na Alemanha foi tranquila no meu caso porque tive apoio de uma consultoria de relocation e um contrato forte com uma empresa grande. Aplicamos para três imóveis e fomos aceitos em um rapidamente sem muitos questionamentos. O peso de um bom contrato de trabalho faz toda a diferença aqui.
Mercado e Custo de Vida: O poder de compra faz sentido; o custo é bem proporcional ao que se recebe. Produtos excelentes, como chocolates de boa qualidade, ótimos queijos e bons vinhos, são muito acessíveis. O sistema de Pfand (retorno de garrafas para reciclagem) é muito legal para o meio ambiente. O lado chato? A reposição de estoque nos mercados é surpreendentemente ruim; é muito comum você ir às compras e simplesmente não achar o que queria.
Trabalho e "Work-Life Balance": Vim de uma multinacional no Brasil para outra aqui, então a hierarquia é similar (troquei seis por meia dúzia). O desafio foi a complexidade da empresa e o ambiente multicultural (colegas franceses, indianos, alemães, espanhóis, etc.). Por outro lado, o equilíbrio entre vida pessoal e trabalho é excelente. Meu contrato é de 35 horas semanais, qualquer hora extra vai para um banco de horas que posso tirar a qualquer momento, e temos 30 dias úteis de férias por ano — um salto gigantesco de qualidade de vida comparado aos 30 dias corridos do Brasil.
Saúde (A cultura do chá): A abordagem médica é bem diferente. Eles não são de pedir muitos exames investigativos de cara; a recomendação inicial para quase tudo envolve chás, repouso e fitoterápicos. Além disso, o tempo de espera para ver um especialista pelo plano público pode levar meses. A parte boa é que, pesquisando, acha-se excelentes médicos que falam outros idiomas e que te tratam muito bem.
Segurança: A sensação de segurança é altíssima. Já saímos de concertos e eventos tarde da noite e andamos a qualquer horário sem nenhum problema. O único ponto de atenção universal nas cidades alemãs: os arredores das grandes estações de trem (Hauptbahnhof), que costumam concentrar usuários de drogas e exigem que você fique um pouco mais alerta.
Clima e Estações: O inverno é brabo. Muito vento, muito frio, tudo cinza, e a pouca luz afeta muito o humor — esse é o principal fator a se considerar quando você vem de um país tropical. O lado legal é ter as quatro estações do ano super definidas, com um verão bem mais ameno.
Idioma e Adaptação: O alemão é muito difícil. Até hoje eu só arranho no idioma, mas a fluência no inglês salva demais. Além disso, existe uma comunidade gigantesca de lusófonos e hispanohablantes, o que facilita muito a adaptação e a criação de círculos sociais.
Saudade e Família: O contato físico faz falta. A tecnologia e as chamadas de vídeo são o que seguram a onda no dia a dia, mas a nossa estratégia para lidar com a ausência da família é viajar ao Brasil a cada dois anos.