Pesquisando no fórum sobre esse assunto só achei um tópico falando sobre gagueira. Como convivo com isso desde que me entendo por gente, resolvi compartilhar um pouco da minha experiência e também uma dica que tem me ajudado, usando as ferramentas da Bastter e alguns hábitos que adotei.
Quando se fala em gagueira a maioria das pessoas pensa logo na repetição de palavras ou sílabas. No meu caso é diferente, aparece mais em forma de “travamentos” antes de falar e em alguns sons específicos. Depois de anos de fono, psicólogos e psiquiatras, percebi que isso está muito ligado à ansiedade. Uma coisa curiosa é que a intensidade muda conforme a pessoa com quem estou conversando. Com meu pai, por exemplo, falo super bem. Já com estranhos a dificuldade aumenta. As lives do Paulo me ajudaram bastante a enxergar essa relação entre ansiedade e fala.
Não vou entrar em todos os detalhes de situações que já passei, como não dormir antes de apresentações, vergonha em interações sociais ou bullying na infância. Quem já gagueja conhece bem esse cenário.
O que acho mais importante dizer é que nada disso me impediu de viver a vida que queria. Sempre tive amigos, saí de casa, aproveitei bastante a vida. Claro que em alguns momentos bate uma recaída, surgem preocupações, medo e até vontade de reclamar quando parece que tudo está mais difícil. Mas na prática muitas dessas barreiras estão só na cabeça.
Algo que tem me ajudado muito nesses momentos é usar a área de esportes mas principalmente a de agradecimento da Bastter. Passei a escrever lá todos os dias e isso me dá um equilíbrio enorme, porque me faz lembrar das coisas boas que tenho e não só dos problemas.
Outra coisa que recomendo é o canal do youtube Special Books by Special Kids. Eles entrevistam pessoas do mundo todo que convivem com os mais diferentes tipos de desafios físicos, mentais e sociais. O mais legal é que o foco não é na limitação, mas em como cada pessoa encontrou um jeito de viver plenamente, dar significado à própria vida e ser feliz dentro da sua realidade. Assistir a esse conteúdo dá um choque de empatia e perspectiva. Não é sobre comparar dificuldades, mas sobre enxergar a vida de outra forma e perceber, como o Bastter fala, que a gente não tem direito de reclamar.
Queria saber se, depois de tanto tempo do outro tópico sobre isso, alguém aqui também sofre dessa situação e o que fez ou faz para melhorar. Ou pelo menos não deixar que isso tome conta da sua vida.