Há uns 7 anos meu pai vinha apresentando um déficit cognitivo que estava começando a comprometer sua qualidade de vida.
Entre umas desconfianças aqui e ali, depois de muita briga, literalmente, consegui que ele fosse a algum geriatra, e no fim foi a uma amiga minha.
Após ela encaminhar para um profissional de saúde mental, psicólogo mas não lembro a especialidade, realizou diversos exames em dias diferentes e o laudo mais a gloriosa "correlação clínica" sugeria Alzheimer como hipótese possível/provável...
Somado isso a necessidade de prostatectomia (levado praticamente a força pelo meu irmão para o médico e para a realização da intervenção cirúrgica) e outros problemas típicos para a idade (glicemia limítrofe para diabetes e pressão alta não tratada)...ficava aquela “brigaiada” com ele...
Após a hipótese diagnostica de Alzheimer, ele não voltou mais na geriatra, alegou que ela era muito novinha (o engraçado é que ela havia me falado que pelo perfil dele, paciente, ele "teria" que ser acompanhado por um neuro homem mais velho, porque senão ele não ia dar muito crédito não).
Após muitas brigas, acabou que "larguei" e cheguei à conclusão que idoso, ou você pega, coloca debaixo do braço e faz o que tem que fazer - leva para cima e para baixo e onde mais ele precisar ir - ou você abandona, deixa ele cuidar da vida dele como quiser, uma coisa bem americana (do norte), bem pragmática; e foi o que fiz!!! Porque não havia condições de traze-lo para morar comigo para eu tomar a frente...
Ano passado ele fez um check-up, até hoje não sei por que exatamente já que ele não fazia isso, e se depararam com coronárias ocluídas em ao menos 70%, 80%. Informaram risco de infarto iminente, o cardiologista o encaminhou para o cirurgião amigo e "EXCELENTE", que já queria operar "amanhã" dado a gravidade.
Detalhe, o déficit cognitivo ano passado estava muito muito muito evidente, a ponto de uma médica que ele passou fazer o laudo para interdição.
Optaram por fazer a cirurgia, ele e minha madrasta, mesmo com ganho de qualidade de vida bem BEM questionável, e um cirurgião mais normal (com humanidade) talvez optasse por não operar dado o quadro demencial e idade de 79 anos - ele podia ter um infarto em 15 minutos? Sim. Poderia ter um infarto em 15 dias? Sim. Mas poderia ser em 3 anos...tempo esse em que possivelmente ele não mais estaria aqui (cognitivamente).
Tentei marcar uma cárdio geriatra para ele, mas não quis ir, provavelmente porque seria do meu círculo de amizades: mais uma novinha, mulher, com idade do meu filho...
Por óbvio não consultaram (ele e minha madrasta) um segundo cirurgião ou mesmo algum geriatra que o acompanhava, porque no fim não havia nenhum acompanhando ACOMPANHANDO! Ele não aderia...
Fez a cirurgia (revascularização), em um hospital sem UTI cardíaca, que era o hospital que o cirurgião consultado operava...(não tecerei comentários sobre isso e a indústria que existe e que profissionais praticam de $$$ a qualquer custo – a cirurgia foi particular).
O procedimento em si achamos, todos, a exceção da madrasta, super mau indicada dado o contexto. O fato de ter sido no hospital que foi então?? Voltarei a não comentar! Mas já havia tomado a decisão de so sorrir a acenar para esses assuntos.
O resultado? Entrou para a estatística de "ficar na mesa"...
Hoje, minha sogra está com metástase, recidiva possivelmente do CA de mama de 3 anos atrás, e já desde semrpe eles (sogros) se comportam e vem se comportando como meu pai se comportava, não ouvem, não faz o indicado, tem serias limitações para a compreensão verdadeira e entendimento do quadro clínico, não querem ir a médicos que buscamos para eles e ficam 100% pelo SUS.
Aqui o problema não é o SUS em si ou o serviço em si (mesmo porque para o tratamento medicamentoso ainda bem que o SUS esta ai), mas não há proximidade com nenhum profissional assistente para dar um conforto, tirar dúvidas, criar um vinculo e "acudir”, mesmo que seja por telefone, quando vem alguma intercorrência em casa por conta do tratamento...
Hoje, minha sogra está na rotina de HC grande, atendimento bom, corpo técnico bom, mas é aquilo, 10 minutos de consulta a cada 3 meses e só, a nutricionista só passa o que está padronizado no hospital (suplementação), os médicos a mesma coisa para terapia fim ou de suporte (medicações)... esses limitações que o serviço tem.
Por mais que se tente explicar, não veem as limitações disso, acham que é assim mesmo!Não há segunda opnião e claramente há condutas ali que não cabem para eles, não cabem porque podem sim serem melhores dado o patrimônio da família, em especial aos profissionais não médicos (como nutricionista e fisioterapeuta).
Bom, por fim, agora não aceitam cuidador em casa ou mesmo diarista/empregada para as atividades da casa, eles mesmos “fazem”, não querem ninguém em casa...
Mais uma vez a única conclusão minha é: ou você coloca debaixo do braço, ou “larga” (no sentido pragmático da coisa, não de não se importar). Não há meio termo, ficar de longe orientando ou tentando ajudar só da briga, porque não há adesão, não resolve nada e o contexto social piora!!!
Difícil...