Meu pai faleceu primeiro. Alguns anos depois, meu avô também faleceu. Depois disso, descobri que minha tia tinha sacado o dinheiro da conta do meu avô. Quem me contou foi minha avó.
Fui conversar com minha tia sobre o assunto e a conversa virou briga. Depois, ela e o filho foram tirar satisfação com minha avó por ela ter me contado. Disseram até que ela ia morrer sozinha. Foi uma situação muito triste e desgastante.
Minha mãe, tentando evitar mais conflito, sugeriu abrir uma conta conjunta com a minha tia para organizar os valores enquanto tudo era resolvido. O dinheiro foi depositado lá. Mesmo assim, continuaram as desconfianças e discussões.
Naquele momento eu estava com muita raiva e queria transformar tudo em uma grande disputa judicial. Com o tempo, comecei a refletir melhor e percebi que levar a situação para uma guerra na Justiça só prolongaria o desgaste e o sofrimento. Pedi para minha advogada tentar resolver da forma mais tranquila possível, buscando um acordo, sem transformar aquilo em uma briga interminável.
Depois, o irmão do meu avô faleceu. Disseram que eu não teria direito à herança deixada por ele, apenas minha tia e os outros irmãos. Fui entender o motivo jurídico.
Pela lei, existe o direito de representação. Ele permite que o filho herde no lugar do pai quando o pai já faleceu antes do avô. Foi assim que eu tive direito na herança do meu avô, representando meu pai.
Mas no caso do irmão do meu avô, a herança segue outra regra. Ela vai para os irmãos vivos e, se eles já tiverem falecido, para os sobrinhos. Eu sou sobrinho-neto, e a lei não estende o direito de representação para esse caso. Por isso, eu realmente não tenho direito aos bens deixados por ele.
No fim, entendi que preservar minha paz é mais importante do que transformar toda situação em uma batalha judicial. Algumas coisas a gente resolve na Justiça. Outras, a gente resolve dentro da própria consciência.