Para quem quer perder uns minutinhos na sexta
Eu sou de família pobre, nunca nem passou pela minha cabeça que meu pai pagaria minha faculdade, isso não existe em família pobre, na verdade só da minha mãe ser casada e eu ter um pai, já não era o mais pobre dos pobres ali naquele meio.
Então ali por volta dos meus 13 anos comecei a bolar uns planos malucos para conseguir estudar e melhorar, e um deles era pagar minha faculdade. Estudei e passei num curso de mecânica no Senai, fazia senai de manhã e primeiro ano do ensino médio a noite. O curso me ajudou muito com física, química, redação, português. Eu pensava assim: vou ganhar um pouco mais que o normal e conseguir pagar a faculdade. Então quando fui para o segundo ano do ensino médio passei num curso técnico de química na ETE, pensando em estudar e conseguir um trabalho. Então eu estudava mecânica de manhã, química a tarde e ensino médio a noite. Foram as coisas que consegui fazer de graça para estudar, cursinho e ensino particular/integral não tinha como.
Quando me formei no ensino médio consegui uma bolsa de 100% para engenharia na FEI pelo prouni. Eu não tinha a menor noção de como alguém conseguia pagar a mensalidade, era muito caro, vivíamos com sei lá, com 1~2 salários minimos e a faculdade era tipo 4~5 .
Eu tive aulas de C++ e eu simplesmente me apaixonei, era muito natural aquilo para mim, mais que para a maioria, percebi que mandava bem. Então fiz uma loucura que fui bem criticado: parei engenharia, perdi a bolsa e fui
tentar fazer TI. Tinha que fazer pública obviamente então fiquei estudando e passei. Na faculdade de TI percebi que eu realmente tinha algum talento com computador, mas eu realmente acho que a paixão por aquilo me fazia estudar mais que a maioria.
Duas coisas estranhas que me ajudaram - no começo eu não tinha computador, então para praticar eu tinha que fazer os códigos no papel e ir mais cedo para digitar e tentar compilar meus códigos. Nas duas entrevistas que fiz de estágio tivemos que fazer na mão a prova, então eu era o mais experiente com sulfite hehehe. Outra coisa, na época que eu fazia estágio, o estágio acabava junto com a faculdade, e então eles decidiam quem eles iam efetivar. Dois colegas iam terminar a faculdade e ser efetivados, mas como eu os ajudava a empresa resolveu me efetivar durante a faculdade. E isso me ajudou muito.
Trabalhei no Brasil, ralei um monte para ter um inglês quebrado, me mudei para fora, vim trabalhar em outra área para uma empresa que é referência nessa parte e no ano passado me tornei o único Principal da minha área aqui.
De tudo eu acho que a maior diferença não é feita por conhecimento técnico, é tentar ajudar as pessoas. Você está sempre envolvido em problemas, e mesmo que não saiba resolver, quando está resolvido você aprende um monte, vira uma bola de neve positiva - principalmente em criatividade, problem solving e relações pessoais. As pessoas começam a ter problema e é você que vem na mente delas, te coloca sempre em destaque naturalmente sem ninguém perceber.
Tenho um frio na barriga de até quando vou conseguir me manter atualizado, começo a me sentir velho perto dos mais novos, não sei se o raciocínio acompanha, mudei tanto dentro de TI para acompanhar tudo que tem hora que penso que não vou mais aguentar acompanhar.