Fala pessoal, tudo bem?
Faz uns 10 meses que estou fazendo terapia (super recomendo).
Como forma de superar alguns "detalhes" vividos, comecei a escrever um livro e queria muito a opinião de vocês. Separei dois trechos curtos com estilos diferentes de escrita.
A ideia é simples: lê os dois e me diz qual você gostou mais… mas principalmente o porquê. O que te prendeu mais? O que te fez querer continuar lendo?
Agradeço demais!
---
Estilo 1
Eu não lembro bem, mas acredito que eu tinha três ou quatro anos. Estava escuro, e tudo o que eu conseguia ver era um par de pernas. Senti um frio na barriga que não parecia caber no meu corpo pequeno. Os gritos vinham de algum lugar acima de mim, atravessando o quarto, atravessando tudo. Momentos depois, vi o rosto dela se aproximando e, em seguida, suas mãos me puxando para fora debaixo da cama. Meu corpo estava em alerta, rígido, como se algo dentro de mim já soubesse, mesmo sem entender, que aquilo não era seguro. Ao mesmo tempo, havia um alívio silencioso, quase tímido, por perceber que, de alguma forma, tinha acabado.
Aquela foi apenas mais uma discussão entre os meus pais. Mas, por algum motivo, foi a primeira que se fixou na minha memória. Não como uma lembrança comum, mas como um ponto de partida. Um marco. O início de algo que eu ainda não sabia nomear, mas que já começava a ocupar espaço dentro de mim. O caos.
[...]
Estilo 2
Ele não sabia exatamente quantos anos tinha. Três, talvez quatro. A memória não vinha com números, apenas com sensações que surgiam sem aviso, como fragmentos soltos de algo maior. Naquela lembrança, tudo começava no escuro, um escuro denso, quase palpável, que parecia engolir o quarto inteiro.
Debaixo da cama, o mundo era reduzido a um espaço apertado e ao movimento de um par de pernas. Elas iam e voltavam com pressa, desenhando uma inquietação que ele ainda não conseguia compreender, mas já sentia. O chão frio encostava na pele, e havia algo no ar que não se explicava, mas que apertava o peito, ocupando o corpo com uma tensão silenciosa.
Os gritos vinham de cima, atravessando o quarto sem encontrar barreiras. Não eram apenas sons; eram impactos que pareciam atravessar também o corpo dele, fazendo tudo vibrar por dentro. Em meio àquele barulho, uma voz se destacou, mais alta, mais carregada, rasgando o espaço com força.
— Para com isso!
[...]