
Tom Jones é um dos grandes romances da literatura inglesa do século XVIII. Publicado em 1749, acompanha a vida de Tom, um jovem impulsivo, generoso e cheio de defeitos, criado pelo bondoso proprietário rural Squire Allworthy após ser encontrado ainda bebê. Sem conhecer sua verdadeira origem, Tom cresce entre conflitos familiares, rivalidades, paixões amorosas e sucessivas confusões causadas por seu temperamento apaixonado e pouco prudente.
Apaixonado por Sophia Western, moça inteligente e virtuosa, Tom enfrenta uma série de obstáculos sociais e morais enquanto percorre estradas, tavernas, cidades e salões da Inglaterra georgiana. Ao longo da narrativa, Fielding mistura aventura, sátira social, humor, ironia e observações psicológicas muito humanas. O romance retrata desde aristocratas hipócritas até oportunistas, soldados, criados, juízes e religiosos, expondo vaidades, interesses e fraquezas da sociedade inglesa da época.
Apesar do tom frequentemente cômico, o livro também funciona como uma reflexão sobre caráter, moralidade e maturidade. Tom erra muito, mas possui uma bondade espontânea que contrasta com personagens aparentemente virtuosos, porém frios ou calculistas. Essa tensão entre aparência moral e virtude verdadeira é um dos centros da obra.
O estilo de Fielding é marcado por uma ironia elegante e por constantes intervenções do narrador, que conversa diretamente com o leitor, comenta os costumes humanos e até brinca com a própria arte de escrever romances. Em muitos aspectos, o livro antecipa o romance moderno psicológico e influenciou autores como Charles Dickens, Honoré de Balzac e William Makepeace Thackeray.