
Ensaios é uma das obras fundadoras do ensaio moderno. Escrito ao longo de décadas por Michel de Montaigne no século XVI, o livro reúne reflexões sobre praticamente tudo o que compõe a experiência humana: amizade, morte, educação, política, vaidade, guerra, religião, costumes, medo, solidão, prazer, velhice e conhecimento.
Em vez de construir um sistema filosófico rígido, Montaigne observa a si mesmo e o mundo com sinceridade rara, misturando memória pessoal, citações clássicas, episódios históricos e comentários psicológicos extremamente modernos. Seu método é o da investigação interior: ao tentar compreender a própria natureza humana, acaba revelando algo universal sobre todos os homens.
Os textos alternam ironia, ceticismo, erudição e intimidade. Há momentos de grande lucidez moral, mas também humor, contradições e dúvidas. Montaigne não escreve como um professor distante; escreve como alguém pensando em voz alta, examinando a vida real sem ilusões excessivas nem fanatismos.
Mais do que um tratado filosófico, os Ensaios são um retrato da consciência humana em movimento. Por isso continuam atuais mais de quatro séculos depois.