Necessito da sobriedade de vocês a respeito de uma perspectiva.
Sei que existe já um tópico com discussão sobre um similar assunto, mas superei o medo das voadoras para humildemente indagar-lhes.
Sou médico intensivista (com prova de título, como recomendado pelo Bastter), tendo obtido este status bem antes da média nacional (antes dos dedicado aproximados 11 anos (desde a graduação e atravessando pandemia, naturalmente) com carga horária semanal de 60-80 horas na atividade e passo por um dilema financeiro e ético que ocupa a minha mente em todas as horas vagas há anos.
Sou grato por ter ganhos financeiros que reconheço como bem superiores à média nacional, mas aos 32 ofereço a sustentação financeira de uma família grande (3 filhos, esposa, sogra e pai), o que exige a preservação da alta carga horária por si e apesar de ter poupado significamente, sou intensamente pessimista com o futuro próximo. O volume de trabalho não me pesa, mas a configuração modelo de negócios que sacrifica o melhor da técnica me coloca em atrito constante com a intervenção hierárquica das direções de hospitais no meu trabalho, em sistemas exclusivamente privados, mas não menos degenerados quando confrontados com o que há disponível nas melhores práticas.
Ultimamente tenho pensado que a minha única saída é deixar o Brasil, e tenho como sonho poder praticar a melhor medicina do mundo, além de gozar de segurança financeira ímpar, como no sistema americano.
Sou um clássico aspirante a Zé continha desde sempre e não almejo muito mais do que prover uma vida digna aos que amo e poder ser generoso com aqueles que sofrem de maior dificuldade, e uma vida de classe média me parece satisfatória, como sempre a vivi.
Sei que não devo pensar que "sou intensivista", mas que "eu sou eu";
Sei que "não há desvalorização de profissional bom nenhum no Brasil, quanto mais médico";
Mas me inclino à crença que gastar parte (uns 50-70%) do meu patrimônio na tentativa de revalidar nos EUA é hoje a minha única saída.
Estou "reclamando de barriga cheia"? Estou equivocado em não querer descartar a minha trajetória e meu sonho pessoal e arriscar a poupança da minha família nesta tentativa?
Me ajuda aí...