Sou novo por aqui e esse é meu primeiro post, apesar de acompanhar há alguns meses.
Há pouco tempo comecei a poupar com mais regularidade, motivado por uma mudança de emprego, e só bem recentemente iniciei na renda variável, pensando no eu do futuro.Felizmente, e por acaso, logo depois que comecei a investir em ações conheci a Bastter.com e de cara reconheci que isso aqui é um oásis no meio de tanta promessa, fantasia e ilusão que vendem por aí, e fiz questão de virar assinante.
Já tomei um baque vendo que estava começando errado: distribuindo migalhas do aporte mensal em vários ativos de uma vez na ânsia de montar logo uma carteira, uma chuva de papel picado; ficava olhando cotação toda hora, lendo notícia e me afetando por elas; acessando corretora e vendo se estava no vermelho ou no verde, vendo rentabilidade, etc. Eu que sempre fui responsável, mas tranquilo com relação a dinheiro, estava pensando nisso o tempo todo.O que realmente me fez entender rapidamente o que se prega aqui foi relembrar um acontecimento na minha família.Há alguns uns anos meu pai foi demitido depois de mais de 30 anos na mesma empresa. Recebeu uma grana, não sabia de imediato o que fazer com ela, até que um “amigo” que tinha começado a “operar na Bolsa, mercado de opções, etc” veio com a sugestão de investir em ações. Meu pai foi convencido a entrar nessa, mesmo sem saber nada sobre o assunto. O ativo escolhido foi PETR4, porque “pagava mais dividendos”, e lá se foi todo o dinheiro do meu pai alocado em uma única ação.
Na época eu era universitário, não entendia nada sobre Bolsa, ações, etc. Mas eu sempre fui cético e desconfiado com “facilidades”, então eu só falava pro meu pai que ele tinha que se informar, ler sobre o assunto, acompanhar pra saber o que estava sendo feito do dinheiro dele. Fui ignorado, e o máximo que meu pai fazia era ficar com a página de cotação da PETR4 aberta no site da BM&F BOVESPA enquanto fazia coisas no computador.Pois bem, nos anos seguintes a PETR4 foi ladeira abaixo, meu pai vendo o patrimônio diminuir, a apreensão aumentando, até que a ação que um dia esteve na casa dos 30,00 foi bater a casa dos 4,00, meu pai e minha mãe viram o aporte sumir e assim que deu um respiro e subiu um pouquinho, ele vendeu tudo e desistiu “desse negócio de ações”.
Por sorte meus pais não dependiam desse dinheiro, que foi reduzido em 60 ou 70% nessa aventura. Eles seguiram com a vida e meu pai não quis mais saber de Bolsa, parou de acompanhar notícias e cotações, e pouco depois ele e minha mãe começaram a investir naquilo que conheciam: imóveis. Hoje meus pais atingiram o objetivo de deixar um imóvel para cada filho, têm sua reserva guardada, têm sua casa, e têm um imóvel de fim de semana onde passam a maior parte do tempo, ambos aposentados. Meu pais hoje curtem sua #PAS, pegando uma praia, cuidando do jardim e viajando.
Meu pai provavelmente sabe quanto perdeu na época, mas não sabe quanto deixou de ganhar. Se tivesse deixado quieto e não tivesse feito nada, nem aportado e nem vendido, hoje teria facilmente algo em torno de 1,5 milhão. Ele não sabe disso, nem nunca vai saber, porque jamais contarei. A ignorância às vezes é uma benção.
Guardo o que sei e o que venho aprendendo para o momento em que eles precisarem de mim. Essa história me fez ver que aconteceu exatamente como se diz aqui.
"Nada do que te oferecem é bom pra você"
"Vai vender no fundo em pânico".
Não deixe ninguém cuidar do seu dinheiro.
Invista no que sabe e conhece.
Diversificação.
Esquece cotação e notícia.
Nunca venda.
Nada ensina mais do que a realidade.
Depois de relembrar esse fato e dessa reflexão, larguei mão de ficar acompanhando cotação e olhando o patrimônio, se subiu ou desceu, e entendi que o que vai fazer ele crescer será quando o salário cair e eu fizer um novo aporte.
Só tenho a agradecer pelo tanto que aprendi aqui em tão pouco tempo e me surpreendo a cada dia com a quantidade de informação disponível. Queria ter conhecido isso aqui antes, mas fico feliz de ter encontrado enquanto ainda tenho tempo de fazer mudanças e aplicar tudo que é ensinado.