Apesar de ter herdado uma quantidade grande de rolos que me levaram uma década para resolver, o genitor do rolo deste relato foi ninguém mais do que eu mesmo. Uma casa da época que eu construía para para vender pelo minha casa minha vida.
Pelo menos era do tipo que espera, um problema que espera por quinze anos é um problema bom.
Ele ficou lá quietinho esperando as partes resolverem quem ia pagar para sair do rolo.
A teoria da coisa é que alguém teria que pagar a transferência da casa, e eu não seria o responsável por isso.
O deixa pra lá se encerrou quando apareceu uma dívida de IPTU no meu nome, e decidi que qualquer prejuízo, depois de tanto tempo, era lucro desde que eu pudesse seguir em frente.
Nos cálculos da minha cabeça, seriam mais ou menos uns quatro meses de aporte. Dói um tanto.
Algumas horas de mindfulness foram feitas até eu me colocar no lugar em que construir vida que me permite resolver esse rolo com o que sobra em 4 meses é o melhor que eu posso pedir dessa situação.
Alguma coisa eu aprendi com schopenhauer.
Rolo é uma coisa chata, uma vez que você se mete nele, não pode mais escolher como sai nem como sai.
Mesmo querendo resolver, o rolo não te deixa sair dele, muitas burocracias, prazos, conversas. Ansiedades, chateações, desânimos, raivas e tudo mais que é humano.
Foram seis meses até arrumar tudo para poder resolver, porque se fosse fácil, se fosse só pagar não era rolo.
Depois de seis meses, chegou o dia de resolver em definitivo. Na boca do caixa, a minha conta de quatro meses de aporte se provou errada e foram seis.
Mais uma chateação.
Só que desta vez, do meu lado estava a outra parte do rolo.
Ele, com seus 60 e tantos anos, chorando me pedindo desculpas, agradecendo e dizendo que não saberia quando poderia resolver isso comigo.
A realidade é que é muito improvável que ele tenha como resolver. Ao longo dos anos nós conversamos muitas vezes sobre o que ele poderia fazer. A situação de vida dele não permite.
Eu tentei explicar para ele que não tinha essa expectativa, e que quem começou esse rolo fazendo as coisas erradas fui eu, e que chegou a hora de fechar as contas. Não sei se ele entendeu.
O que eu entendi é que meus seis meses de problemas era tudo o que ele tinha na vida.