
O número médio de horas trabalhadas por ano caiu de forma expressiva nas economias desenvolvidas ao longo dos últimos 150 anos. No fim do século XIX, trabalhadores de países como Estados Unidos, Alemanha, França, Reino Unido, Bélgica, Suécia e Austrália chegavam a trabalhar aproximadamente 3.000 a 3.500 horas por ano. Em 2023, esse número havia recuado para algo entre 1.350 e 1.800 horas anuais.
A redução reflete transformações profundas no mercado de trabalho, como a diminuição da jornada semanal, a expansão das férias remuneradas e dos feriados, o aumento do trabalho em tempo parcial e os ganhos de produtividade obtidos com a industrialização e o avanço tecnológico.
Também chama atenção a diferença atual entre os países. Os Estados Unidos permanecem próximos de 1.800 horas anuais, enquanto países europeus registram jornadas significativamente menores. A Alemanha aparece próxima de 1.350 horas por trabalhador, uma diferença de aproximadamente 450 horas por ano em relação aos americanos.
Os dados históricos, porém, exigem cautela. Até 1938, a série utiliza estimativas de Huberman e Minns referentes principalmente a trabalhadores da produção em tempo integral e fora da agricultura. Não há dados nessa série entre 1939 e 1949. A partir de 1950, os números vêm da Penn World Table e abrangem de maneira mais ampla os trabalhadores da economia. Apesar dessa mudança metodológica e da lacuna entre as duas fontes, a tendência de longo prazo é inequívoca: o crescimento da produtividade foi acompanhado por uma forte redução do tempo dedicado ao trabalho ao longo das gerações.
Fonte: Our World in Data, com dados de Huberman e Minns (2005) e Penn World Table (2025).