Um estudo chamado StoryScope analisou 61.608 histórias de ficção, humanas e geradas por cinco modelos de inteligência artificial: GPT, Claude, Gemini, DeepSeek e Kimi. O conjunto foi formado a partir de 10.272 prompts, cada um associado a uma história humana e a cinco histórias produzidas por LLMs, com 304 características narrativas analisadas por texto.
Os resultados mostram diferenças estruturais entre a ficção escrita por humanos e a produzida por IA. Foram identificadas diferenças em aspectos como raridade narrativa, desenvolvimento de personagens, estrutura temporal, explicitação de temas, resolução de conflitos e uso de subtramas. Embora exista sobreposição entre os grupos, a análise conjunta dessas características revela padrões suficientemente distintos para diferenciar, com elevada precisão, os textos humanos dos gerados pelos modelos avaliados.

Quando as 304 características narrativas são consideradas simultaneamente, as histórias humanas aparecem concentradas em uma região relativamente distinta, enquanto os textos produzidos pelos cinco modelos de IA ficam muito mais próximos entre si.
No gráfico, cada ponto representa uma história, e sua posição permite visualizar semelhanças e diferenças entre os padrões narrativos. A separação não constitui uma fronteira perfeita entre textos humanos e artificiais, mas evidencia uma diferença estatística entre os grupos. Entre as IAs, Claude aparece como o modelo mais distinto, enquanto Gemini e DeepSeek são os mais próximos entre si.

O estudo também encontrou uma diferença relevante na raridade narrativa. As histórias humanas apresentaram valores médios e medianos mais elevados do que os textos produzidos pelos cinco modelos de IA. Isso indica que, em relação aos padrões encontrados no conjunto de treinamento e validação, as narrativas humanas tenderam a apresentar combinações de características menos comuns.
A diferença, porém, não é absoluta. Como mostra o gráfico, existe ampla sobreposição entre as distribuições. O resultado representa uma tendência estatística do conjunto analisado, e não uma regra capaz de distinguir individualmente todo texto humano de todo texto gerado por inteligência artificial.
Fonte: Russell et al. (2026),
StoryScope: Investigating Idiosyncrasies in AI Fiction, COLM 2026, arXiv:2604.03136.
https://arxiv.org/abs/2604.03136