Acabei de ler este livro do Bastter e decidi escrever essa resenha.
Não coloquei em "Comentários" pois achei o texto muito longo. Não sabia aonde colocar e coloquei aqui.
O livro é muito bom!
Aí vai:
"Na preparação para minha primeira maratona me deparei com um texto em um site chamado copacabanarunners.net: era um relato de um camarada que havia corrido as primeiras maratonas no Rio de Janeiro e que, em sua primeira maratona, apesar de estar superpreparado e ser muito bom em provas curtas e médias, acabou por subestimar a distância de 42,2 Km e toda a preparação que a envolve.
O texto me chamou atenção pela forma engraçada e original que ele escrevia e ao mesmo tempo pela humildade em reconhecer as falhas que cometeu.
O nome do autor era um tal de Bastter.
Aquele texto me marcou de tal forma que sempre o lia as vésperas das minhas maratonas. Ajudava a colocar os pés no chão.
Anos depois passei a me interessar por opções. Comprei um livro de como investir em opções. O autor era um tal de Maurício Hissa/Bastter. Na introdução ele dizia que fazia esportes e que havia corrido maratonas no Rio de Janeiro.
Não poderia haver tantas coincidências. Mandei um email perguntando se era o mesmo maratonista e gentilmente ele me respondeu confirmando.
Então, pra mim, sempre que vejo o nome do Bastter eu primeiro o associo ao texto da maratona, depois a investimentos.
Recentemente soube de novo livro de sua autoria: "Correr para viver e outras histórias".
Comecei a ler e para minha grata supresa o livro era como se aquele primeiro texto que li sobre a maratona tivesse se multiplicado por dezenas de páginas!
Na obra, Bastter apresenta não o desafio de completar uma prova, um evento, mas o desafio de sempre se manter treinando e em constante evolução ao mesmo tempo em que se aventura em diversas modalidades.
Caiu? Bota curativo e levante. Machucou um pé? Vai com o outro. Joelho doeu? Conversa com ele e negocia pra aguentar mais um pouco. Posterior apitou? Muda de esporte temporariamente e volta leve. Essas são algumas estratégias utilizadas por nosso querido esportista/investidor/médico/etc para não parar de vez.
Porque é fácil parar. O sofá tá ali. É só sentar, ligar a tv, botar um gelo, botar um pano quente. Aguardar dias até a dor passar. E se não passar? Então é isso né? Aquele esporte não dá para você! Daqui pra frente só caminhadas leves...
Mas não! Não devemos nos entregar assim! "Sofá mata, cama enterra" já diz o ditado. Vai voltando bem devagar, um pouco de dor, um pouco de treino e vai. Vai, vai, vai...
Eu lembro que Bastter já ensinava isso lá no livro de Opções:
Opere pequeno ele dizia - Acho que praticamente toda página daquele livro tinha essa frase! Então ele segue o mesmo mantra na recuperação: Vai devagar. Vai na areia, vai na grama, vai na esteira. Vai.
Neste novo livro há também a - divertida - tentativa de incursão por outros esportes além da corrida: futebol, futebol de salão, futevôlei, handebol, etc... Mas a verdade é que o cavalo selado da corrida passou diversas vezes na frente do Bastter e ele não subiu...
Mas e daí?
O que valeu mesmo foram os momentos vividos, não importando se entre os primeiros ou últimos lugares. É nítido pela leitura que o autor se divertiu nas diferentes modalidades e também na corrida, claro.
Há uma passagem interessante em que em determinado momento as coisas acabam finalmente dando certo depois de tantas preparações, tanto treino, o cenário estava perfeito, o ritmo estava bom... e aí... Não vou dar spoiler. A nossa mente é capaz de tomar decisões imprevisíveis. Anos de treinamento, sempre dando uma zebra aqui outra acolá. Chegou a hora da vitória... A mente saberá como reagir a esse momento sem imprevistos? Ou os imprevistos são exatamente o que faz Bastter chegar mais longe, ter um desafio a mais pela qual lutar?
No final das contas este livro me traz mais uma lição: a de que sempre podemos tentar fazer a mais. Sempre podemos tentar ir além. É um pouco da filosofia do Bernardinho: "Aos campeões o desconforto".
Fazer um pouco a mais para nos prepararmos para quando não precisarmos. Esse a mais tem que ser sem pensar muito, vai fazendo, sem ficar analisando muito como vai fazer pra não dar tempo da "sã consciência" dizer não.
Só vai. Como diz Bastter em uma de suas lives: Só vai, vai, vai, vai em frente, vai, vai, vai..."
TABAR.