Um estudo da Charles Schwab procurou responder a uma questão comum: se é melhor investir assim que o dinheiro está disponível ou esperar por um momento mais favorável do mercado.
Para testar isso, a Schwab comparou diferentes formas de investir ao longo de 20 anos, de 2005 a 2024, considerando aportes anuais de US$ 2.000 no S&P 500.
Um dos investidores sabia antecipadamente qual seria o menor nível do S&P 500 em cada ano e sempre investia exatamente naquele momento, algo que, na prática, é impossível.
Outro dividia os US$ 2.000 em 12 parcelas e investia uma parte no início de cada mês, seguindo a estratégia de
dollar-cost averaging, ou DCA.
Outro tinha o pior
timing possível e investia todos os anos exatamente no maior nível do S&P 500, algo que, na prática, também é improvável.
O último mantinha o dinheiro em títulos de curtíssimo prazo, sem investir em bolsa.
Depois de 20 anos, os resultados foram:
Timing perfeito: US$ 186.077
DCA mensal: US$ 166.591
Compra no pior momento de cada ano: US$ 151.343
Dinheiro mantido fora da bolsa: US$ 47.357
O resultado mais interessante é a
pequena diferença entre o investidor com timing perfeito e aquele que investiu de forma disciplinada por meio do DCA.
Quem conseguiu acertar exatamente o fundo de cada ano terminou com US$ 186.077. O DCA mensal chegou a US$ 166.591, cerca de
10% abaixo do resultado obtido por alguém com capacidade perfeita de previsão.
Também surpreende o desempenho de quem comprou sempre no pior momento possível. Mesmo investindo exatamente no topo de cada ano durante duas décadas, esse investidor terminou com US$ 151.343,
mais de três vezes o patrimônio de quem permaneceu fora da bolsa.
A Schwab ampliou a análise para verificar se o resultado poderia ter sido apenas uma particularidade do período entre 2005 e 2024.
Foram analisados 80 períodos diferentes de 20 anos desde 1926. O padrão geral permaneceu semelhante: o
timing perfeito ficou à frente, seguido pelas estratégias de investimento disciplinado, enquanto permanecer fora do mercado produziu resultados muito inferiores.
Quando a análise foi estendida para períodos de 30, 40 e 50 anos, o comportamento observado continuou semelhante.
A explicação é simples. O mercado acionário apresenta uma tendência histórica de valorização no longo prazo. Segundo o próprio estudo,
em 75,6% das janelas móveis de 12 meses analisadas desde 1926 o mercado terminou em alta.
Por isso, esperar continuamente por uma queda pode significar ficar de fora durante longos períodos de valorização.
No caso do DCA, o investidor não precisa tentar descobrir antecipadamente qual será o melhor momento para comprar. Ele simplesmente investe de forma periódica.
A situação é especialmente natural para quem investe uma parte do salário todos os meses. Nesse caso, o dinheiro vai sendo aplicado à medida que é recebido.
Se alguém recebe salário mensal e investe R$ 1.000 todos os meses, o DCA ocorre de forma automática, sem necessidade de prever o comportamento do mercado.
A principal conclusão do estudo, portanto, não é que o DCA sempre produzirá o maior retorno possível.
A conclusão é que
a vantagem de acertar perfeitamente os melhores momentos foi relativamente pequena quando comparada com uma estratégia simples de investimento disciplinado e contínuo.
Na vida real, o desafio é ainda maior, porque ninguém conhece antecipadamente o fundo do mercado.
Quem tenta fazer
market timing precisa acertar quando sair e quando voltar.
Quem segue uma estratégia disciplinada simplesmente continua investindo.
Se o mercado sobe, participa da valorização.
Se cai, os novos aportes compram mais ativos por preços menores.
É por isso que o estudo da Schwab transmite uma ideia simples:
o maior risco muitas vezes não é investir no momento errado. É passar tempo demais esperando pelo momento perfeito.Fonte: Charles Schwab,
Does Market Timing Work?, Schwab Center for Financial Research, atualização de julho de 2025.
Charles Schwab