
A economia subterrânea mundial movimenta cifras que rivalizam com as de grandes economias nacionais. Um relatório da Global Financial Integrity (GFI), organização de pesquisa especializada em fluxos financeiros ilícitos, estima que dez categorias de crimes transnacionais gerem entre US$ 12,3 trilhões e US$ 16,21 trilhões por ano. O levantamento, publicado em outubro de 2025 sob o título Shadow Figures, aponta o crime cibernético como o principal componente desse mercado, responsável pela maior parte das receitas estimadas.
O estudo representa uma mudança expressiva em relação à avaliação anterior da entidade, publicada em 2017, quando a estimativa para 11 categorias de crimes transnacionais variava de US$ 1,6 trilhão a US$ 2,2 trilhões anuais. A comparação, porém, exige cautela: o levantamento mais recente passou a incluir o crime cibernético, que não fazia parte da análise anterior, além de atualizar a abordagem sobre as atividades criminosas.
A chamada economia subterrânea reúne atividades que operam à margem da legislação e dos mecanismos oficiais de controle. Nesse universo estão o tráfico de drogas e de pessoas, a comercialização de produtos falsificados, a exploração ilegal de recursos naturais, o contrabando, os ataques digitais e diferentes modalidades de fraude.
Essas práticas movimentam recursos por meio de redes que podem atravessar vários países, envolvendo organizações criminosas, intermediários e estruturas financeiras utilizadas para ocultar a origem dos valores. Além de provocar prejuízos às vítimas, essas atividades podem alimentar a corrupção, financiar outras formas de criminalidade e comprometer a arrecadação dos governos.
Entre os segmentos analisados pela GFI, o crime cibernético aparece na primeira posição. A categoria abrange diferentes práticas criminosas realizadas por meio de computadores, celulares, redes digitais e sistemas conectados. Entre elas estão ataques a empresas, roubo de dados, extorsão digital, invasões de sistemas e operações fraudulentas na internet.