Brasil tem hoje cerca de R$50 bi/mês de benefícios pagos mensalmente na previdência social no regime do INSS.
Se considerar yield de 0,5% real ao mês significa uma massa de riqueza de R$10 trilhões necessária para sustentar apenas quem já é aposentado.
Se contabilizar os que tem direito e ainda não recebem ou o que seriam os direitos parciais (referente ao que cada um pagou parcial) a conta fica maior ainda.
A riqueza líquida total privada do país é estimada em ~R$10 trilhões (Credit Suisse, 2018)
Ou seja, precisaria expropriar tudo de todos para pagar a conta de quem já se aposentou no INSS e ninguém mais receber mais nada. Para uma possível transição para modelo de capitalização sem perdas nos benefícios e terminando o INSS (e mesmo assim que já pagou e não recebeu já era).
Na conta acima não estão outros regimes (funças). Na conta acima não estão estados e municípios. Se considerar tudo precisaria mais um R$3 trilhões para cobrir o rombo atuarial.
Vou repetir para ficar tudo bem claro: todas as propriedades de todas as pessoas precisariam ser expropriadas para tornar o INSS sustentável, e todas as previdências de funcionários públicos federais, estaduais e municipais transformadas em zero (0,00), corte de 100%. Obviamente um cenário impossível, é apenas para ilustrar como as promessas escritas no papel não possuem nenhuma base na realidade, são vazias.
Ou seja, não há como pagar. E não vai ser pago.
A reforma feita não faz nem cócegas nessa conta. Economia estimada de 800bi parece bom? Mas é em 10 anos. Isso dá 6 bi por mês ano. Não dá nem para o cheiro. Não muda em nada a conta. É um sistema completa e desesperadamente quebrado, que continua na exata mesma situação. Não é necessária uma nova reforma daqui 5 ou 10 anos, é desde já. A reforma que passou apenas adia, em pouco tempo, o dia do juízo final, mas não passa nem perto de ser uma solução.
A união tem muitos ativos, mas não chega nem perto de fazer cócegas nesse montante. Se tiver uns 100 milhões de hectares a vender por 10k cada daria 1 trilhão apenas. Todas estatais dá pouco mais de 1 trilhão. Não fecha a conta para tornar sustentável.
Zerar a conta pela via tributária é impossível. Já demonstrado pela conta acima. Além disso ninguém vai aceitar pagar mais impostos para sustentar um ONREVOG sem serviços, e depois ter que pagar novamente saúde privada, educação privada, etc. No limite as pessoas iriam embora daqui em quantidades alarmantes (hoje muitos já vão, mas poucos perto da população total). Já temos exemplos disso: Califórnia e Rio Grande do Sul, estados que elevaram impostos e cada vez mais pessoas e empresas estão saindo de lá. Esse fenômeno a curva de Laffer mostra bem: além de certo ponto, aumentar imposto reduz a arrecadação total pela supressão da atividade econômica.
Um corte linear de 50% nos benefícios seria necessário para o regime, como é hoje, continuar existindo. Se quiser tirar do corte quem ganha salário mínimo precisaria cortar mais de 60% de quem ganha mais e uns ~70% de quem está em regimes acima do teto.
Como estamos pagando essa conta? Dívida. Cada vez maior e explosiva. Só a dívida do ONREVOG federal já está perto de R$6 trilhões. Se nada for feito, chegará um momento em a fonte vai secar, ou ficar muito cara. Não é possível pagar despesa primária com dívida indefinidamente.
Se nada for feito, o ajuste das contas, não só da previdência mas das demais despesas do ONREVOG também, virá através de monetização da dívida. Isso quer dizer inflação. Isso quer dizer cortes ainda maiores nos benefícios. Ilustrando para quem não entendeu: toma aqui seus 10 mil reais de benefício (500 dólares). Isso já foi feito no passado brasileiro, há vizinhos fazendo nesse instante e há uma probabilidade que não é desprezível de repetirmos a história.
Tudo que foi dito acima sobre cortes se aplica também a salários, benefícios, adicionais, progressão de carreira e etc do serviço púbico. Não tem mais dinheiro, vai ter cortes no valor real (nem que leve 10 anos sem reajuste pra isso). As categorias mais inteligentes já entenderam isso e tentam salvar só o seu, que cortem "no dos outros". Mas menos inteligentes estão dando corda para se enforcar (professores no RS foram contra o fim do duodécimo, na prática isso é preferir ter 2 meses de salário atrasado ao invés de 1 mês eles e atrasar também nos demais poderes...). ATENÇÃO PARA QUEM TRABALHA PARA O ESTADO: não pense em termos de categorias, esquece coletivo, estou apenas ilustrando, pense em si mesmo e o que você faria se acordasse amanhã e o ONREVOG fechou as portas, shut down, sem trabalho, sem salário, sem previsão de voltar, como você bota comida na mesa, o que você tem a oferecer para a sociedade em competências que outros estão dispostos a pagar por?
Infelizmente tudo isso está um pouco esquecido no último ano. Novo ONREVOG, bolsa batendo recorde (nominal), juros caindo, reforminha passando, etc. Mas o bode continua na sala, e fedendo. A realidade é que se não fosse a exuberância irracional lá fora com liquidez infinita ninguém emprestaria para o ONREVOG brasileiro por 5%, em situação normal, com as contas públicas arrombadas como estão, SELIC estaria em 2 dígitos. Estamos, por enquanto, surfando nessas águas calmas que vieram de fora, mas no horizonte tem tempestade.
Acabou o milho, acabou a pipoca. Isso afeta o país inteiro. Quem não entender isso e se preparar está lascado.