Resolvi fazer um tópico em separado com essa minha resposta porque o pessoal gostou e fica mais condensado. Corrigi alguns erros de redação também:
Considerando que a gestão busca perpetuar a empresa e maximizar o retorno aos acionistas ela terá que tomar algumas decisões, dentre elas a alocação dos resultados:
Vamos lá: você montou uma loja, a Roupas S.A compra roupas, e vende mais caro com margem de lucro bruta, paga funcionários (VGA), investe em estoques (será CMV na DRE ao vender) e caixa (capital de giro), atualiza os balcões e a fachada da loja, faz manutenção nos equipamentos e computadores(capex regular ou "normal") e paga os impostos como o Imposto de renda. Depois disso tudo sobrou o lucro. Em alguns anos você terá capex abaixo da depreciação (contábil que segue regras legais) em outros acima, você terá alguma inadimplência, então no curto prazo aquele lucro não será o dinheiro que você verá na sua conta e sim o que chamamos aqui de FCL capex, contudo no longo prazo esse Fluxo tende a convergir com os lucros.
Com esse Fluxo de Caixa (FCL capex) você pode: pagar dividendos, ampliar a loja (capex), abrir uma nova unidade(capex), adquirir um concorrente(M&A), comprar uma fábrica de roupas(capex) e tudo dependerá do seu apetite para crescimento, risco e das oportunidades que você vê no mercado de roupas e vestuário.
Se você abrir capital dessa empresa na bolsa terá vários sONcios e além dessas opções citadas acima você poderá ainda recomprar as ações que estão sendo negociadas, fazendo isso você aumenta a sua participação % e a dos demais acionistas na empresa.
Qual empresa é a melhor? A que abriu uma nova loja? A que ampliou e atualizou as lojas atuais? A que comprou uma fábrica de calcinhas, a que recomprou ações ou a que pagou dividendos para os acionistas? Não temos como dizer isso de antemão. A que distribuiu os dividendos tem menos caixa para esses investimentos e por isso talvez precise se endividar mais, a que investiu tem um risco do investimento dar errado, mas um potencial de crescimento ligado àquela aquisição ou projeto e por aí vai, são as chamadas decisões financeiras que estudam em Finanças corporativas.
Disso tudo vem a teoria da irrelevância dos dividendos, ou seja, o que importa é que a gestão faça um bom trabalho e isso vai implicar em alguns momentos em investir montando lojas e fábricas, em outros em pagar altos dividendos, mas definitivamente não significa não errar e sim acertar mais do que errar. Você pode pagar dividendos “sangrando” a empresa, reduzindo o capital de giro e até mesmo colocando em risco a perpetuidade da organização ou fazer investimentos ruins com o dinheiro dos acionistas. Como sabemos que estão acertando mais do que errando? Consistência nos lucros é talvez o indicador mais assertivo para isso. Estrutura de capital equilibrada também (em resumo, os cachorrinhos).
As vezes vai dar errado, não é porque o empresário seja picareta ou estúpido, monta sua empresa pra ver se é fácil. De vez em quando as coisas dão errado mesmo e por isso nós diversificamos, porque em alguns momentos as coisas não sairão conforme os planos para algumas empresas da carteira. Ao longo de 40/50 anos de investimento é bem provável que alguma chegue a fechar as portas.
Imaginem que lá atrás na época dos Mac coloridos a Apple tivesse optado por distribuir gordos dividendos ao invés de investir no desenvolvimento do iPhone.
Essas escolhas são complicadas. Lembrem que a Apple desenvolveu o iPhone depois da Palm fracassar com o TREO, vocês acham que havia muito apoio dos acionistas? Muito provavelmente se perguntassem em assembleia a maioria ia querer os dividendos ao invés do iPhone.
Então:
1- Diversifiquem (O Bastter System te dá tudo o que você precisa pra isso).
2- Escolham empresas com bom histórico de resultados (o site fornece as ferramentas para isso).
3- Deixem o pessoal das empresas trabalhar e saiba que eles erram também e isso por si só não torna o investimento ruim.