Estava lendo sobre a lógica do colecionismo e tentando entender se vale colocar 2% em colecionáveis que podem aumentar de valor ao longo do tempo, e se isso tem relação com reserva de valor.
Dois estudos me chamaram a atenção. Este sobre o emocional dos colecionáveis, com uma base histórica que me pareceu bem consistente:
https://www.jbs.cam.ac.uk/2026/study-looks-at-emotional-yield-of-collectibles-like-art-and-wine/, cujo artigo está aqui:
https://www.tandfonline.com/doi/full/10.1080/0015198X.2026.2639952#d1e152 e este:
https://www.britannica.com/money/how-to-invest-in-collectibles , embora um pouco mais raso, com bons insights.
É fácil quando falamos de obras de arte, esculturas entre outros consolidados, mas se imaginarmos que até cartas de pokemom raras passam dos 100k USD, faz sentido colocar 2% em itens de meios que gostamos, raros, e preserva-los como colecionismo, reserva de valor, e até mesmo como investimento?
Onde quero chegar: Quem gosta de bicicleta e conhece, comprar e preservar itens raros do meio, ou de video game, ou de sinuca entre tantos. Desde que com uma parcela mínima do patrimônio (teto de 2%) e que não tenha o custo afetivo, citado nos artigos, mas que consiga preservaar. Algumas premissas que vi de artigos sobre isso:
1. Escassez de sobrevivência, não escassez de produçãoEscassez de produção = "edição limitada de 5.000 unidades". Todo mundo compra sabendo que é colecionável, todo mundo preserva na caixa, e as 5.000 unidades continuam existindo em estado perfeito 30 anos depois. É por isso que Beanie Babies, Funko Pops e moedas comemorativas quase nunca valorizam.
Escassez de sobrevivência = o item foi produzido para ser consumido, usado, jogado fora. Ninguém guardou. As poucas unidades intactas existem por acidente. Costumam ter maior valor.
O teste prático:
o item foi vendido como investimento na época? Se sim, elimine. O objeto valioso de amanhã é o que hoje é tratado como descartável.
2. Motor demográfico datadoNostalgia tem calendário. A demanda vem de pessoas entre 35 e 55 anos, no pico de renda, comprando a infância de volta. Isso significa uma janela de compra previsível:
hoje, o alvo é o que era popular entre ~1993 e ~2003. Coisas dos anos 70 e 80 já estão precificadas por uma geração que começa a vender, não a comprar. Coisas de 2015 ainda não têm compradores com dinheiro. Você compra na janela que ainda não chegou, não na que já chegou.
3. Infraestrutura de autenticação existenteSem padrão de grading e sem banco de dados público de preços, não existe liquidez, existe só um objeto na sua casa. A avaliação séria depende de escalas reconhecidas de grading, pesquisa de vendas comparáveis em bases de leilão como Heritage e Goldin, e de vendas efetivamente concluídas no eBay, não de preços pedidos. Categoria sem esse encanamento é hobby puro, não chega a virar ativo.
4. Durabilidade cultural (o teste dos 30 anos)O objeto precisa estar ancorado em algo que ainda será lembrado. Sinais fortes: primeiro-da-espécie, marco técnico, obra que definiu um gênero, associação a um criador canônico. Raridade só importa se o item também for amplamente desejado às vezes fabrica-se pouco justamente porque falta o fator que faz as pessoas quererem comprar. Raro e irrelevante é só raro. Shumi Company
5. Filtros negativosPode ser reimpresso ou reeditado oficialmente. Reedição destrói o prêmio de escassez da noite para o dia.
Mídia fisicamente instável (mídia óptica, fitas magnéticas, plástico que amarela, borracha que degrada).
Categoria com histórico de escândalo de fraudes não resolvido.
Enfim. Até aqui foi aonde consegui chegar lendo alguns artigos e penso em adquirir alguns colecionáveis. Alguém já pratica ou faz o faz o colecionismo nesse sentido, seja lá em qual mercado for, e tem experiências para compartilhar? Já estudaram sobre, alem do que tem no site, e até onde chegararam? Vale por um pouco mais de risco nisso (cachorro verde, amarelo e vermelho?). Queria trocar um pouco mais de ideias sobre isso.