O ano é 1998, mês de janeiro, você curiosamente consegue o poder que todo analista de valores sempre sonhou, estimar com razoável grau de exatidão os fluxos futuros de caixa normalizados de algumas empresas. MAs em relação aos juros você sómente vai saber os dos próximos 12 meses.
Você descobre que as ações da Amazon trarão um retorno de 28,5%, ao ano de 1998 até 2025, se o múltipo terminal for altíssimo, algo que olhando de antemão, mesmo em uma previsão confiável, nos parece absurdo, contudo a nossa queridíssima SELIC é de 25% a.a. sem sobe e desce, sem volatilidade. Logo você chega a brilhante conclusão que Amazon não vale a pena e, ainda que de fato a Amazon retorne mais a diferença é pouca pelo risco/volatilidade ao longo do caminho. Você pega R$1.000,00 que eram iguais a U$1.000,00 na época e aporta em um investimento de renda fixa que paga 100% da SELIC.
Dessa época até 2008 a nossa querida Petro e a Vale espancam praticamente qualquer empresa de tecnologia do mundo. Você estava certo. Ficou na renda fixa seguro, e demoraria a ter retorno, o S&P nem se compara aos índices dos países emergentes com destaque para Brasil.
Pois bem, o indivíduo que ficou na taxa SELIC, tem hoje R$65.016,90 bruto, já o da Amazon, U$871.734,93 (dólares) totalizando R$ 5.161.115,52.
Não conseguimos prever o futuro, e mesmo que conseguissemos ainda erraríamos muito. Por isso a migração para renda fixa em face das variações dos juros curtos ou longos dificilmente fará sentido, mesmo quando os números mostrarem outra coisa.
Alías, quando os número sugerem migração para renda fixa é que as pessoas querem se expor à renda variável e vice versa. As chances de acertar nisso (timing) são quase tão ínfimas quanto a de ganhar na loteria.