Anos atrás eu fiz um post bem grande explicando o pensamento contemporâneo de saúde, que tenta avaliar quais fatores favorecem ou atrapalham o desenvolvimento humano, e até que ponto.
Quem quiser entender a lógica pode acessar ler ou assistir o vídeo:
Dinheiro não traz felicidade. - #PAS - Bastter.comEm 2023 saiu mais uma meta análise, dessa vez bem ampla reforçando o que foi dito.
A qualidade das relações que a criança/jovem são um fator determinante em diversos domínios da vida, entre eles, saúde, saúde mental e "sucesso na adultez" (seja lá o que isso for).
Artigo completo:
Positive Childhood Experiences and Adult Health Outcomes - PMC
"Há muitas evidências que associam os ACEs [experiências aversivas na infância] ao aumento do risco de doenças comuns em adultos, incluindo doenças cardíacas, doenças pulmonares e câncer.2–8 Organizações médicas, sistemas de saúde e um número crescente de formuladores de políticas estão reconhecendo que os ACEs geram excesso de morbidade e mortalidade em nível populacional."
"Estudos recentes que examinam a associação entre PCEs [Experiências positivas na infância] e resultados de saúde em adultos após a contabilização de ACEs descobriram que PCEs estão associados a menor risco de saúde mental precária em adolescentes e adultos e maior desenvolvimento adulto."

Como sempre, precisa de um bom senso bem grande para pegar esses dados estatísticos, e fatores genéricos e aplicar na vida real.
O importante aqui é saber que tanto a presença de fatores de risco, quanto a ausência de fatores protetivos coloca a criança em risco. (demonstrado no primeiro conjunto de barras, que a ausência de fatores protetivos tem o mesmo risco que a presença de 3 fatores de risco)Seja como for, quais são as coisas que protegem colocam seus filhos em situações de risco?
Fatores protetivos:
- Conforto em confidenciar em pelo menos 1 dos pais sobre o que estava incomodando.
- Percepção de que pelo menos 1 dos pais entendia os problemas da criança.
- Avaliação positiva do relacionamento com os pais.
- Felicidade na escola.
- Conforto com os amigos.
- Percepção ajuda dos vizinhos.
Fatores de risco:
- Doença mental dos pais.
- Transtorno por uso de substâncias dos pais.
- Violência por parceiro íntimo dos pais.
- Divórcio ou separação parental.
- Pai falecido ou ausente.
- Abuso físico.
- Abuso sexual.
- Abuso emocional.
- Negligência.
A forma que eu interpreto esses dados não é criando regras malucas em volta desses fatores, e sim entendendo que todos pertencem a mesma classe: qualidade das relações.
Em resumo, na minha interpretação, todos eles dizem respeito a forma que a criança ou jovem percebem as relações que existem em volta deles.
Quanto maior a qualidade das relações formadas na infância em diversos domínios, maior as chances de desenvolvimento saudável.
Então, não adianta dizer que a criança teve tudo na infância, se ao mesmo tempo mensagens de "não confie em ninguém", "é você por você mesmo", "não busque ajuda", ou se passam a vida falando mal de outras pessoas (amigos, colegas, vizinhos...) e outra relações externas...
Continua criando um fator de vulnerabilidade na vida da criança.