Link para o FAQEsse post quem está falando é a pessoa Paulo. Quem falou acima foi o psicólogo.
Eu evito ao máximo falar opiniões minhas das coisas pq não é o papel que eu ocupo aqui, mas esse post trouxe um conjunto de relatos que talvez o que eu aprendi PESSOALMENTE lidando com casos complexos e de risco talvez possa ajudar alguém.
Novamente, isso é só a minha opinião das coisas, está fundamentado única e exclusivamente na minha cabeça louca que é do time do dogoncio e do charlito.
Então leiam com moderação.
Eu também tinha na minha vida pessoal uma situação similar a de vocês, e gostaria de saber o que eu sei hoje sobre isso. Mas não deu tempo. Eu só fui aprender o que escrevo aqui muitos anos depois.
Eu fiz o começo da minha carreira em casos graves e de risco. Por motivos bem menos nobres do que parece, eu acabei virando uma referência entre os pares de alguém que lida com casos difíceis. Era normal eu ser, no mínimo, o quarto psicólogo do paciente.
Daí decorrem 2 coisas:
1) Eu precisei aprender a entender a minha responsabilidade nas relações que formava;
2) dar limite nas minhas relações, tanto com os pacientes quanto na minha vida pessoal.
Ter algumas dezenas de casos graves ao mesmo tempo é um treco complicado pq sempre tem alguém em crise.
Lógico que o sofrimento da mãe, do pai, do irmão, marido, esposa é maior que o meu. Eles só tem aquela pessoa, não tem outro irmão, filho, esposa, marido.
Eu vejo as pessoas no máximo 2h por semana. Eles veem a pessoa que é especial para eles o dia todo.
Mas seja como for, eu vivo dezenas desses casos por semana, e também me gerava o campo de atenção e preocupação sem fim. Isso é extremamente complicado.
Eu tenho responsabilidade por essas pessoas. dezenas. Grande parte delas fazendo coisas que poderiam a qualquer momento levar para fins bastante complicados.
Isso afetou bastante o meu estilo de vida, e de forma geral, eu sigo essa linha para as minhas relações pessoais hoje, e melhorou muito minha qualidade de vida global.
Depois de alguns anos, algumas estafas, alguns surtos e vários problemas pessoais decorrentes disso, eu entendi que:
1) Eu só posso dar o que tenho sobrando.
Eu preciso dormir, eu preciso comer, eu preciso de coisas. Eu preciso fazer as minhas buscas pessoais independentemente do que está acontecendo.
Se a pessoa está em um caminho de destruição, eu não posso parar a minha vida para cuidar dela, pelo contrário. Eu preciso da melhor vida possível para ter algo para dar para ela.
As vezes que eu deixei chegar no ponto de não ter nada, foram as vezes que eu cometi erros.
Foram as vezes que eu acabei exigindo dos outros aquilo que nunca foi responsabilidade deles.
2) Eu só posso me responsabilizar pelo que eu faço.
A minha responsabilidade está no meu campo de ação. Se eu levo a pessoa no AA, a responsabilidade é de levar no AA.
Se eu falo/peço/levo para praticar esportes eu só posso me responsabilizar por isso.
Se eu fiz XYZ por alguém, isso foi meu para a pessoa.
3) Eu não posso responsabilizar a pessoa pelas minhas expectativas.
Todos os pacientes, inclusive os que não precisariam de acompanhamento e fazem Psi para desenvolvimento, tem as buscas pessoais deles.
Eu tenho expectativas sobre os pacientes, de como eles podem melhorar se fizerem XYZ, mas isso é responsabilidade minha.
A pessoa independe das minha expectativas delas.
4) Eu não sou responsável pelas expectativas delas.
O máximo que eu posso fazer é ouvir as expectativas, dizer (1) o que eu tenho para dar, (2) como eu posso me responsabilizar por algo, (3) e aceitar qualquer expectativa que eu tenha sobre isso é minha.
Qualquer coisa fora disso está fora do meu campo.
5) As pessoas são responsáveis por elas.
Eu só posso apoiar no caminho, eu mal consigo tomar decisões sobre mim, eu já tenho as minhas próprias dificuldades de viver o meu caminho e assumir a responsabilidade do meu caminho.
Eu não tenho como, por impossibilidade física, assumir o caminho dos outros. Eu posso ajudar no caminho enquanto andamos em paralelo, mas é impossível assumir a responsabilidade por outra pessoa.
Eu posso aceitar os erros dos outros, e agir para mitigar os danos, mas não é responsabilidade minha.
6) manter o mínimo é o bastante
Eu não posso assumir mais do que tenho, nem tenho como exigir isso. Se fizer vou acabar cobrando o preço que eu paguei por fazer o máximo.
Manter uma conversa em termos humanos, um almoço legal, um espaço de saúde e sem problemas é muitas vezes a única coisa que eu posso fazer. Sem brigas, sem julgamento, sem estresse. E ela determina o que quer fazer com isso.
Eu só posso fornecer a condição.
Eu posso abrir a porta, mas a pessoa precisa passar pelo batente.