A produção de energia nuclear no mundo atingiu um recorde de 2.667 terawatts-hora (TWh) em 2024, consolidando a importância do setor na matriz energética global. Segundo dados da World Nuclear Association, com base na Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), esse foi o maior volume gerado em um único ano, superando o recorde de 2006.
Expansão da capacidade e novos reatores
Ao longo do último ano, sete novos reatores entraram em operação: três na China, e os demais nos Emirados Árabes Unidos, França, Índia e Estados Unidos. Atualmente, há 417 reatores em funcionamento em 31 países, com capacidade instalada de 377 gigawatts elétricos (GWe). A maioria do crescimento concentra-se na Ásia, que lidera a expansão nuclear mundial.
Segundo Rafael Mariano Grossi, diretor-geral da AIEA, as projeções indicam que a capacidade de geração nuclear pode chegar a quase 1.000 GWe até 2050 no cenário mais otimista, uma alta significativa em relação ao atual, de 377 GWe. Na hipótese pessimista, essa capacidade subiria para 561 GWe.
Sama Bilbao y León, diretora-geral da World Nuclear Association, destacou que o recorde de produção reforça o papel da energia nuclear na luta contra as mudanças climáticas e na transição para uma matriz de energia mais sustentável. Mesmo os reatores mais antigos continuam apresentando alta eficiência, com fator de capacidade médio global de 83%, maior que qualquer outra fonte de energia.
Os Estados Unidos, França, China, Rússia e Coreia do Sul lideram a geração mundial, respondendo por mais de dois terços da capacidade total. A China mostra o crescimento mais acelerado, com todos os 57 reatores em operação após 1991 contribuindo significativamente para esse avanço.
Impacto na inovação tecnológica e IA
A demanda por energia impulsionada por avanços em inteligência artificial (IA) também fortalece a aposta na energia nuclear como fonte confiável. Empresas de tecnologia aceleram o desenvolvimento de novas opções energéticas, incluindo a nuclear, para atender às necessidades de data centers e infraestruturas digitais, estimadas em até 300 GW de nova energia nos próximos dez anos.
Posições políticas e o desenvolvimento do setor
Recentemente, a União Europeia aprovou investimentos em energia nuclear, classificando a fonte como ambientalmente sustentável, o que favorece países como França e Alemanha na ampliação de seus investimentos. A decisão foi contestada por Austria e Luxemburgo, mas a corte europeia afirmou que a energia nuclear possui emissões quase nulas de gases de efeito estufa e é uma das opções viáveis para alcançar metas de redução de carbono.
Especialistas apontam que a reconsideração da energia nuclear se deve à escassez de energia soberana e às necessidades de duplicar a oferta elétrica mundial. Erik Rakhou, especialista em estratégia energética, afirma que a popularidade da energia nuclear na Europa tem crescido, especialmente na Holanda e Polônia.
Perspectivas futuras
Segundo os analistas, o papel da energia nuclear no futuro será ainda mais relevante, especialmente com o aumento previsto na demanda de energia para IA, estimada entre 500 e 700 TWh, equivalente ao consumo de vários países combinados. O avanço da inteligência artificial também traz preocupações ambientais, uma vez que o setor pode consumir energia de forma exponencial, ameaçando metas de emissão zero, como alertado por estudos da Universidade de Cambridge.
Com o apoio de políticas internacionais e a inovação no setor, a energia nuclear aparece como uma peça fundamental na matriz energética de várias nações, além de uma aliada na luta contra as mudanças climáticas.
Fonte: O Globo