O cachorrinho do meu avatar foi nosso primeiro cachorro (meu e da minha esposa). O sonho dela era ter um cachorro mas a mãe dela nunca deixou, e após 4 anos juntos decidimos adotar um vira-lata.
Em 6 de abril de 2019 fomos em uma feira de adoção e vimos o Pano de Chão lá na feira, um cachorrinho já idoso, vira-lata estopinha, ou manguinha chupada. Sentimos que tinha algo de especial nele. Conversamos com a pessoa que estava dando lar temporário para ele, ela contou a história do cachorrinho.
Se chamava Pano de Chão porque vivia sujo em um estacionamento e o pessoal que trabalhava lá o apelidou com esse nome porque parecia um pano de chão. Nesse mesmo estacionamento ele já havia sido atropelado duas vezes. Como nunca cuidaram muito dele, as fraturas não consolidaram como deveriam e ele andava meio tortinho. Por isso essa pessoa deu lar temporário para ele, para cuidar dele fora do estacionamento.
Ele também havia sido adotado uma vez mas foi devolvido porque quem adotou tinha outro cachorro e o Pano não se deu muito bem com esse outro cachorro.
Eu estava um pouco inseguro em adotar por conta dos gastos já que na época eu não tinha um salário tão bom mas conversando com minha esposa decidimos levar o Pano para casa.
De lá pra cá o Pano nos ensinou muita coisa. E passou por muita coisa também.
Ver maisTinha doença inflamatória intestinal e por conta disso fazia diarreias cheias de sangue algumas vezes. Andamos em vários veterinários até descobrir como tratar corretamente. Numa dessas crises a veterinária que o internou disse que o caso era muito grave. No outro dia ele voltou bem pra casa.
Alguns anos depois um câncer agressivo na orelha apareceu. Novamente, caso grave, precisamos tirar a orelha dele. Após a retirada da orelha o câncer foi resolvido.
No mesmo ano os atropelamentos cobraram seu preço. Uma artrose severa acometeu o quadrilzinho dele, teve cada vez mais dificuldades para andar. Fazia fisioterapia toda semana...
Junto disso veio uma disfunção cognitiva, doença parecida com Alzheimer, que o fazia andar em círculos, esbarrar em cadeiras etc.
Durante esses 6 anos e meio tentamos fazer de tudo para dar uma vida digna ao Pano. Tenho certeza que com ele pagamos o valor de um carro zero ou mais.
Há duas semanas viajei a trabalho e minha esposa ficava falando que ele não tava bem. Brincou que ficou com saudades de mim e resolveu adoecer mais uma vez.
Quando voltei de viagem o internamos novamente. Pressão baixa, dificuldade para respirar. Usou oxigênio no internamento. Mais um estado grave relatado pela equipe veterinária. Brincamos que era só mais um estado grave e que ele ia dar a volta por cima mas no fundo sabíamos que ele estava ficando cansado já.
Voltou pra casa até bem mas no dia seguinte já voltou a piorar. Não queria mais comer. Nem andava mais.
Ontem o levamos de volta para a clínica esperando mais um internamento mas já esperando que ele poderia não voltar.
E não voltou.
Nos foi sugerido eutanásia porque esse descompasso de pressão, essas crises, ficariam cada vez mais frequentes. Ele não parecia mais o mesmo cachorro.
Acho que foi a decisão mais difícil da minha vida e tenho certeza que foi o dia mais sofrido da minha vida.
E cá estou eu desabafando num fórum para vários avatares pra ver se a dor ameniza um pouco.
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