Para não deixar o pavio apagar no final do ano, decidi montar um planejamento para pedalar 180 km e, em seguida, correr mais 15 km. Como não tinha nenhuma provinha em dezembro, achei importante criar um desafio para manter o corpo ativo. Nunca havia pedalado 180 km, e a distância, confesso, me assustava.
A primeira decisão foi fazer o pedal no rolo. Onde moro, não há estrutura suficiente para realizar um treino tão longo com o mínimo de segurança: o trânsito é complicado e a ciclofaixa acaba sendo invadida a todo momento por motoristas. No rolo, existe o conforto de estar em casa, mas pedalar por tantas horas acaba gerando, para mim, um certo tédio. Não que seja ruim, mas é inegável que pedalar na rua é mais prazeroso do que no rolo.
Com a decisão tomada, iniciei os preparativos de nutrição e hidratação. Queria executar exatamente o que imagino fazer em uma prova que pretendo participar em junho de 2026. Às 01h05 da manhã, comecei o pedal. Não sei se isso acontece com mais pessoas, mas por volta do km 50 sempre bate um desânimo crônico. Não é vontade de desistir, mas parece que o corpo dá uma fraquejada. Depois disso, a moral passa a oscilar entre altos e baixos.
Por volta das 7 da manhã, minha família já estava acordada e meu filho, com 1 ano e 4 meses, veio me visitar. Ficou ali me observando pedalar, provavelmente sem entender muita coisa, me deu alguns sorrisos e foi embora. Minha esposa me deu apoio, especialmente com a logística da água rs. Alguns minutos depois, minha filha de 5 anos sentou ao meu lado e começou a conversar comigo. Ela disse que, quando conversa, o tempo passa mais rápido.
Faltavam cerca de 20 km para o fim. Confesso que a conversa sobre desenhos animados, somada às mil perguntas que ela me fazia — sobre o que tinha dentro de um gel de carboidrato e por que eu estava fazendo aquilo — ajudou muito. As respostas me tomavam tempo e a cabeça se desligava da ansiedade de terminar. Perto do final, falei para ela que algumas coisas na vida são importantes para nós, mesmo que a gente não receba nenhuma medalha por isso.
Terminei o pedal super bem, animado por ter concluído o desafio. Fisicamente, estava um pouco cansado, mas nada extremo.
Na corrida, o objetivo era entender como meu corpo se comportaria depois de uma carga tão grande no ciclismo. Consegui correr os 15 km muito bem, sem nenhum contratempo.
Fiquei realmente feliz por ter concluído esse desafio pessoal.
Como havia dito para minha filha que não receberia nenhuma medalha, ela resolveu fazer uma e me entregar, além de outros desenhos maravilhosos. Foi de longe uma das medalhas mais importantes que recebi até hoje!
Segue a foto da medalha s2!
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