Então é véspera de Natal. E, de repente, o tempo parece desacelerar, ainda que o relógio insista em correr. As luzes piscam, as mesas são arrumadas, as mensagens chegam aos montes… mas a pergunta que ecoa baixinho é outra: o que você tem feito para cuidar da sua alma, do seu coração e da sua mente?
Talvez cuidar da alma seja permitir silêncio. Não o silêncio constrangedor, mas aquele que acolhe. Aquele em que a gente se escuta sem julgamento e reconhece que nem tudo saiu como planejado... e tudo bem..faz parte da vida e a sua impermanência. A alma não pede perfeição, pede verdade.
O coração, por sua vez, anda exigente. Ele lembra as palavras ditas com pressa, os olhares que não demos, os gestos que adiamos. Mas também recorda os abraços sinceros, os pedidos de desculpa, as tentativas honestas de fazermos o melhor. O coração não arquiva erros; ele contabiliza intenções. E a mente… ah, a mente precisa de descanso. Ela carrega listas, culpas, expectativas e comparações desnecessárias. Talvez cuidar dela seja soltar o peso de querer controlar tudo, aceitar que algumas respostas só chegam depois e que outras nunca chegam, mas também não fazem tanta falta assim.
A véspera de Natal não é um tribunal. É um espelho gentil. Ele pergunta, sem acusar: como você tem tratado a si mesmo? E os outros? Você ofereceu presença ou apenas pressa? Escutou ou só esperou sua vez de falar? A boa notícia é que não existe “prazo final” para recomeçar. Ainda dá tempo de ser mais paciente, mais humano, mais leve. Ainda dá tempo de perdoar, inclusive a si mesmo.
E se nada disso parecer fácil hoje, tudo bem. Faça o básico revolucionário: respire fundo, sorria para alguém, agradeça pelo que há. Às vezes, cuidar da alma é só não brigar com o dia.
No fim das contas, o Natal não exige grandes discursos nem almas impecáveis. Ele aprecia corações disponíveis, mentes em paz e pessoas dispostas a tentar de novo amanhã.
Feliz Natal! Deus abençoe a todos!