Ontem, quando eu e minha companheira voltávamos de uma caminhada, encontramos uma senhora que mora aqui no condominio e tem Alzheimer vagando sozinha, ainda de pijama, apressada para ir pedir ajuda.
Ela e o marido moram em uma loja que foi adaptada para moradia, mas que é uma condição muito precária para se viver.
Enquanto tentávamos acalma-la, ela contava historias desconexas, hora dizendo que o marido não acordava, hora dizendo que ele tinha caído e não levantava. Dizia que o marido estava sendo cuidado pela irmã, depois que estava sozinho, depois que o filho estava vindo. Depois chorava copiosamente dizendo que o marido disse que ia embora, ia larga-la. É muito difícil conversar com alguém que parece estar desconectado da realidade.
Com muita calma, fomos conversando e voltando para a casa dela. Então eu tive que entrar no local para ver se o senhorzinho estava bem. Já podem imaginar qual era o meu receio de entar lá.
Felizmente o marido estava vivo, apenas deitado e com dores por uma suposta queda. Não havia ninguém cuidando dele. Conseguimos o contato de um dos filhos que em pouco mais de uma hora chegou. Disse que a doença dos pais estava inclusivo afetando o trabalho dele e que não consegue dar mais assistência do que já dava. Tiveram que tirar o gás da casa pois em duas ocasiões fogão ficou acesso e foram dormir. Então ele leva comida para que apenas aqueçam no microondas.
Quando fui para minha casa, cabeça estava a mil. E se não tivessemos impedido essa senhorinha de sair do condomínio e fosse para a rua sem nem saber onde mora... E se o marido tivesse morrido e ela não conseguisse pedir ajuda... E se...
Foi aquele choque de realidade do que pode acontecer logo ali no futuro. Não existe garantia e por isso é necessário fazer o melhor que pode para garantir um fim de vida digno.