Perdi um colega médico há pouco tempo por infarto. 47 anos...
Era um cara que, olhando de fora, “fazia tudo certo”: bom peso, se exercitava, se alimentava bem. Mas trabalhava de um jeito completamente insustentável — plantão em cima de plantão, muitos à noite, virando madrugada direto. Muito disso por conta de dívidas, padrão de vida alto… aquela roda que a gente conhece.
E a literatura vai meio nessa linha, ainda que não seja perfeita. Tem controvérsias, claro — muito dado observacional, difícil ajustar tudo. Mas alguns sinais são bem consistentes: trabalhar muitas horas, especialmente acima de 55h semanais, se associa a aumento de risco, principalmente para AVC, e em menor grau para doença coronariana.
Tem análise global mostrando algo como 35% mais risco de AVC e 17% mais risco de morte por doença isquêmica nesse grupo.
Ou seja, não é preto no branco… mas também não é inocente.
No fim, é simples, mas a gente ignora: talvez trabalhar um pouco menos seja justamente o que permite continuar trabalhando — e vivendo — por mais tempo, não adianta aportar mais agora pra morrer aos 47 depois.
Enfim… peguem leve.
Long working hours and risk of coronary heart disease and stroke: a systematic review and meta-analysis of published and unpublished data for 603,838 individuals