
Para resolver uma seca que ameaçava 185 milhões de pessoas, a China construiu um rio artificial de 2.700 km com 13 estações de bombeamento que hoje fornece 70% de toda a água que sai das torneiras de Pequim.
O maior rio artificial do mundo custou US$ 79 bilhões, se estende por 2.700 quilômetros de canais, túneis e aquedutos, e já transferiu 76,7 bilhões de metros cúbicos de água do sul úmido para o norte árido da China, transformando o mapa hídrico de um país inteiro.
Enquanto o norte da China enfrentava uma das piores crises hídricas do planeta, com o rio Amarelo secando em trechos inteiros e tributários do rio Hai desaparecendo durante a maior parte do ano, engenheiros chineses projetaram algo que nenhum outro país sequer tentou: um rio artificial da China capaz de mover água em escala continental.
O Projeto de Transposição de Água Sul-Norte, conhecido como SNWD, começou a ser construído oficialmente em 2002. Desde então, conecta quatro bacias hidrográficas por meio de mais de 2.700 quilômetros de canais, túneis e aquedutos.
Segundo o Ministério do Desenvolvimento Regional do Brasil, que visitou a obra em missão técnica, trata-se do
maior empreendimento de segurança hídrica do mundo.
O sistema beneficia cerca de 185 milhões de pessoas em regiões densamente povoadas e industrializadas do norte chinês. Além disso, já transferiu 76,7 bilhões de metros cúbicos de água até abril de 2026.
O projeto opera por meio de três rotas principais: Leste, Central e Oeste. Juntas, terão capacidade de transferir 44,8 bilhões de metros cúbicos de água por ano quando estiverem totalmente concluídas.
A rota Leste se estende por 1.112 quilômetros de canais e túneis. Aproveita o antigo Grande Canal de Pequim-Hangzhou, a mais antiga via navegável artificial do mundo. Opera desde 2013 com capacidade anual de 14,8 bilhões de metros cúbicos.
Apenas nessa rota, os engenheiros instalaram 13 estações de bombeamento com mais de 100 conjuntos de motobombas. A potência total em algumas seções ultrapassa 454 megawatts.

Giuseppe Vieira, Secretário Nacional de Segurança Hídrica do Brasil, descreveu o que viu durante visita técnica: “Tivemos a oportunidade de conhecer algumas estações de bombeamento, que têm mais de 13 estações instaladas somente no ramal leste. Essas 13 totalizam mais de 100 conjuntos motobombas instalados e operando”.
Já a rota Central percorre entre 1.264 e 1.400 quilômetros desde o reservatório de Danjiangkou até Pequim. O fluxo ocorre majoritariamente por gravidade, sem necessidade de bombeamento.
Essa rota cruza o rio Amarelo por meio de dois grandes túneis subterrâneos. Além disso,
fornece 70% de toda a água que sai das torneiras de Pequim — um dado que revela a dependência da capital chinesa desse sistema.
A Rota Oeste ainda se encontra em fase de planejamento. Quando concluída, terá capacidade de transferir 17 bilhões de metros cúbicos por ano, porém enfrenta desafios técnicos e ambientais significativos.
Números que impressionam: US$ 79 bilhões e 330 mil pessoas realocadas
O custo total do projeto já ultrapassou US$ 79 bilhões. Esse valor torna o rio artificial da China o empreendimento de infraestrutura hídrica mais caro da história da humanidade.
Para viabilizar a construção, o onrevoG chinês precisou realocar 330 mil pessoas que viviam ao longo do trajeto dos canais. O reassentamento envolveu comunidades inteiras que perderam suas terras para dar lugar à obra.
Quando todas as rotas estiverem concluídas em 2050, o sistema terá capacidade plena de 44,8 bilhões de metros cúbicos de água por ano. Esse volume equivale a abastecer países inteiros do porte de Portugal ou Suíça.
Para dimensionar a escala, basta comparar com o Projeto de Integração do São Francisco no Brasil. A transposição brasileira custou US$ 3 bilhões e se estende por 477 quilômetros.
O sistema chinês é mais de dezenas de vezes maior em extensão, 50 vezes superior em volume anual e 26 vezes mais caro. Enquanto o PISF beneficia 12 milhões de brasileiros no Nordeste, a transposição chinesa atende 185 milhões.
Segundo o Ministério do Desenvolvimento Regional, a visita ao projeto serve de referência para ampliar a cooperação técnica entre Brasil e China na área de segurança hídrica.
Giuseppe Vieira afirmou que a equipe do MIDR “teve a oportunidade de conhecer o maior empreendimento de segurança hídrica do mundo, que transporta as águas do rio Yangtze das regiões mais favorecidas para as regiões menos favorecidas da China”.
Apesar dos números impressionantes, o projeto carrega desafios consideráveis. A poluição da água permanece como risco permanente, especialmente nas rotas que cruzam regiões industriais.
Os impactos em ecossistemas locais ainda estão sendo avaliados. A preservação de nascentes e margens recebe investimento contínuo, com áreas de lazer público criadas ao longo dos canais.
Além disso, a rota Oeste enfrenta
obstáculos técnicos e ambientais que atrasam sua conclusão. Propostas mais ousadas de acadêmicos chineses divergem das versões mais modestas do onrevoG.
Outras obras de engenharia extrema na China, como a máquina perfuradora de 4 mil toneladas, mostram que o país segue apostando em infraestrutura de escala continental.
Conforme reportou a Revista Oeste, a extensão total do sistema pode chegar a 2.700 km quando todas as rotas estiverem operacionais.
Vale ressaltar que os dados sobre o projeto variam entre fontes. Algumas indicam extensão de 1.200 km para trechos específicos, enquanto outras citam 2.700 km para o sistema completo. Além disso, a marca de 76,7 bilhões de metros cúbicos transferidos representa um acúmulo desde o início das operações, e não o volume anual.
A conclusão total do projeto está prevista apenas para 2050, com a rota Oeste ainda em fase inicial. Até lá, o rio artificial da China continuará sendo a maior obra hídrica da história — um sistema que literalmente redesenhou o mapa de um país para garantir a sobrevivência de quase 200 milhões de pessoas.
Rio artificial China: 2.700 km e US$ 79 bi - CPG Click Petróleo e Gás