
Escrita por Jane Austen e publicada em 1813, a obra é um exame minucioso das convenções sociais, do matrimônio e da moralidade na Inglaterra rural do início do século XIX. A narrativa concentra-se na família Bennet, composta por cinco irmãs cujas perspectivas de futuro dependem exclusivamente de casamentos vantajosos, dada a impossibilidade legal de herdarem a propriedade da família. O enredo ganha contornos definitivos com a chegada de Charles Bingley, um jovem abastado, e de seu amigo, o aristocrata Fitzwilliam Darcy, à vizinhança.
A trama desenvolve-se a partir do contraste entre as personalidades e as percepções dos protagonistas: Elizabeth Bennet, a segunda filha, dotada de intelecto aguçado e independência de espírito, que formula um juízo severo e precipitado sobre Darcy após um primeiro encontro desfavorável; e Fitzwilliam Darcy, um proprietário de terras extremamente rico, cuja reserva e rigor social são interpretados pela comunidade como arrowgansa e desdém.
O núcleo do livro reside na superação de barreiras internas e externas. Elizabeth precisa confrontar a falibilidade de suas próprias percepções (o Preconceito), enquanto Darcy é instigado a reconhecer que sua posição social não justifica a condescendência perante os outros (o Orgulho). Entrelaçadas ao arco principal, surgem subtramas que expõem as fragilidades do sistema de classes da época, as implicações de escolhas pautadas meramente pela conveniência econômica e as consequências de comportamentos imprudentes que colocam em risco a reputação familiar.
Através de uma série de eventos que testam o caráter e a integridade de ambos, as barreiras de comunicação são rompidas. O desfecho consolida a ideia de que o respeito mútuo e a autocrítica são os fundamentos necessários para uma união legítima, transcendendo as expectativas puramente financeiras ou sociais da sociedade georgiana.