Uma coisa que aprendi atendendo pacientes é que raramente a pessoa identifica que está com sintomas relacionados a burnout/exaustão.
Mais do que isso, algus se sentem ofendidos quando explico que não há causa orgânica para o problema e que deveria verificar carga de trabalho como causa.
Entre os sintomas:
- Fadiga excessiva, dificuldade de concentração, falta de memória, dores musculares, insônia, lentidão de pensamento, ansiedade, queimação no estômago, cefaleias, tontura, isolamento social, cinismo, frieza, irritabilide e explosões.
Alguns casos:
- Jovem de 20 anos, dificuldade de concentração, dor no corpo, insônia, e irritabilidade.
Após conversar descobri que de 7-13h ela trabalhava como auxiliar de um padre cego, às 13h ela assumia um turno no supermercado do lado, e às 19h ia pra faculdade de psicologia, chegava em casa 00h e iniciava o ciclo do no dia seguinte
- Mulher 50 anos, trabalha em tribunal de justiça como auxiliar em processos, inicio de sintomas com apagões, fadiga, sonolência, lentificação de pensamento. Ficou ofendida quando, após extensa investigação, foi excluida causa cardiaca ou neurológica
O que mais chama a atenção é que o perfil das pessoas que chegam no burnout é bastante semelhante:
- Dificuldade de dizer não: pessoas com perfil de alta agrabilidade, não conseguem recusar tarefas determinadas pra ela, acabam assumindo mais do que aguentam
- Intolerância à incerteza: dificuldade de assumir que parte do processo pode vir com variabilidade, leva à rigidez excessiva consigo mesmo, com horário e com os outros
- Centralização excessiva: não tolera delegar, geralmente acha que tudo só é bem feito quando ele mesmo faz
- Perfeccionismo: a busca por padrões irrealistas gera retrabalho e excesso e ansiedade durante as tarefas
- Neuroticismo: pessoas de alta variabiliade emocional que tendem a lidar pior com frustrações.
Se você se identifica com algum dos perfis busque ajuda!
Talvez seja exatamente o ponto que você precisa trabalhar em terapia. Ninguém precisa centralizar tudo em si, é necessário tolerar algum grau de incerteza e imperfeição em tarefas feitas por você mesmo ou pelos outros. É óbvio que se você pegar pra fazer tudo certamente vai ficar melhor, afinal você tem mais envolvimento afetivo. Mas esse não é o ponto, o ponto é conseguir continuar evoluindo na sua profissão sem que isso tire sua saúde.