Em meu estudo sobre o impacto do engajamento com saúde encontrei um artigo bem interessante publicado pela NetLab da UFRJ.
Em resumo:
Coletaram 169 mil Anúncios na Biblioteca da Meta, abril-maio de 2025
Analisaram manualmente uma
amostra de 6.579 anúncios
E 76% dos anúncios foram considerados FRAUDULENTOS
O problema atacado é quase sempre o mesmo: hormonal, estético, emagrecimento, fadiga.
E as promessas são sempre as mesmas:
99,5% das vezes prometem cura milagrosa.
82,7% das vezes sugerem ausência de risco por viés naturalista (Pode tomar que é natural).
Quase 50% das vezes sugerem algo oculto que está sendo escondido por um inimigo imaginário como a indústria farmacêutica.
60% das vezes usam viés de especialista associando o anúncio a imagem de médicos famosos como Drauzio Varella, claramente sem autorização.
75% com manipulação de imagens e uso de deep fake.
Mas tem algo que me chamou mais a atenção:
"O cenário é ainda pior quando consideramos que tais anúncios não recorrem a estratégias sofisticadas de dissimulação, mas repetem padrões facilmente reconhecíveis, com formatos e mensagens recorrentes, muitas vezes toscos. O fato de esses anúncios terem circulado, e continuarem a circular, logo revela menos uma limitação técnica das capacidades de verificação e moderação e mais uma escolha comercial da empresa..."
Sabe o que iso significa:
A CULPA É NOSSA!
Existe uma demanda óbvia por acreditar no que eles falam, e eles nem precisam se esforçar pra fazer isso, só colocam um vídeo tosco que toca exatamente no que as pessoas querem ouvir. Alguns anúncios estao rodando há 3 anos sem dar sinais de piorar performance.
O artigo conta a história do lado do fornecedor, a meta, o erro da moderação e os anúnciantes lucram e são os culpados. Até tem parte nisso. Mas uma consequência óbvia de um mercado em que a competição é alta seria aumento de nível de sofisticação. Isso não acontece pois a demanda supera fortemente o que é produzido, eles não precisam se dar o trabalho.
Quem trabalha com marketing medico sério sabe disso. Pra se destacar no meio de quem fala sério você se sofistica em vários quesitos. Mas o fraudulento não, é fácil, tosco, repetitivo e pulverizado.
Pra quem quiser segue o link:
Post | NetLab UFRJ