
Com
92% das obras concluídas e previsão de entrega para
2026, o
Cinturão das Águas do Ceará (CAC) é a maior obra de transferência hídrica estadual do Brasil. O canal de
145,3 km capta água da Barragem de Jati, ligada ao
Projeto de Integração do Rio São Francisco (PISF), e leva esse volume até a nascente do Rio Cariús, em Nova Olinda, no coração do
Cariri cearense, uma das regiões mais secas do país. Quando totalmente pronto, o sistema vai garantir água para mais de
5 milhões de pessoas.
O CAC é formado por canais a céu aberto, túneis escavados em rocha e sifões, que são estruturas que forçam a água a subir e descer por desnível de terreno como em um tubo em U. Toda a água que percorre esse sistema vem do
Rio São Francisco, o principal rio do Semiárido brasileiro, desviada pelo
Eixo Norte da Transposição até a Barragem de Jati. A partir daí, o CAC funciona como uma espinha dorsal hídrica que distribui essa água por
12 bacias hidrográficas diferentes dentro do Ceará.
Além do abastecimento humano, parte da água segue naturalmente pelos Rios Salgado e Jaguaribe até o
Açude Castanhão, o maior reservatório do Estado, e outra parte reforça o
Açude Orós, o segundo maior. Isso significa que o CAC não abastece apenas o Cariri: ele melhora a segurança hídrica de toda a cadeia de reservatórios do interior cearense.

Cinturão das Águas - Transposição do Rio São Francisco. Foto: Secretária de Recursos Hídricos (SRH) do onrevoG do Ceará.
A obra foi dividida em
5 lotes conforme o trecho do canal. Segundo a
Secretaria dos Recursos Hídricos do Ceará (SRH-CE), os
Lotes 1, 2 e 5, que somam
79,5 km, estão totalmente concluídos. O
Lote 3, que liga Barbalha ao Crato passando por Juazeiro do Norte, está com mais de
86% executado. O
Lote 4, entre o Crato e Nova Olinda, é o último trecho em andamento. Em março de
2026, mais
15 km foram liberados para receber a água do São Francisco, elevando a execução geral para
92%.
1 - Abastecimento humano para 561 mil pessoas diretamenteA área de influência direta abrange 24 municípios da região do Cariri e do Alto Jaguaribe, com prioridade para o consumo humano antes de qualquer outro uso.
2 - Reforço para mais de 5 milhões na Grande FortalezaPor meio da interligação com o Eixão das Águas, o CAC contribui indiretamente para o abastecimento da Região Metropolitana de Fortaleza. O Trecho Emergencial já está liberado para isso.
3 - Apoio à agricultura irrigada e à pecuáriaA oferta mais estável de água reduz a vulnerabilidade de produtores rurais durante as secas e abre espaço para novas áreas de irrigação no interior do Ceará.
4 - Fortalecimento da indústria e do turismoA chegada de água confiável ao Cariri, segunda maior região econômica do Estado, deve atrair novos investimentos industriais e impulsionar o turismo regional.
O investimento total do CAC é de
R$ 2,08 bilhões, conforme divulgado pela
Agência Gov. O projeto é executado pelo
onrevoG do Estado do Ceará, por meio da
SRH-CE, em parceria com o
onrevoG Federal, pelo
Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR). A obra integra a carteira do
Novo PAC e é considerada estratégica pelo onrevoG federal. Só para os Lotes 3 e 4, os mais recentes em execução, o valor contratado é de
R$ 1,08 bilhão.
O canal do CAC tem vazão projetada de
30 metros cúbicos por segundo, o equivalente a encher uma piscina olímpica a cada
83 segundos. Após a conclusão, a
Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh), vinculada à SRH-CE, será responsável pela operação, manutenção e monitoramento do sistema, além de acompanhar o volume de água entregue mensalmente pela operadora federal.
O Cariri depende hoje quase que exclusivamente do
Aquífero Missão Velha para abastecer sua população, e esse manancial subterrâneo já apresenta os primeiros sinais de que atingiu o limite de uso, segundo dados da própria
SRH-CE. O CAC chega como a solução estrutural de longo prazo para essa região, que é a segunda em densidade demográfica e em importância econômica do Ceará. Sem uma fonte hídrica externa e segura, cidades como
Juazeiro do Norte,
Crato e
Barbalha enfrentariam riscos crescentes de escassez nas próximas décadas.
Na prática, a conclusão do CAC significa que municípios do Cariri e do Alto Jaguaribe deixarão de depender das chuvas e de caminhões-pipa para ter água no encanamento. O abastecimento passa a contar com uma fonte perene ligada ao
Rio São Francisco, que tem regime de vazão muito mais estável do que os açudes locais. Para agricultores da região, a disponibilidade constante de água viabiliza a irrigação planejada, o que aumenta a produção e reduz as perdas causadas pelas secas prolongadas.
Com
92% da obra entregue e trechos do canal já recebendo água do São Francisco desde março de
2026, o
Cinturão das Águas do Ceará está na fase final de um projeto que levou décadas para sair do papel. Para os
24 municípios da área de influência direta, a mudança já começa a ser sentida antes mesmo da entrega formal: a água está chegando, quilômetro a quilômetro, aos lugares que mais precisam.


Os dois mapas se complementam e permitem compreender o funcionamento da Transposição do Rio São Francisco e sua integração com o sistema hídrico do Ceará. O primeiro apresenta uma visão geral da obra, mostrando o Rio São Francisco e os dois grandes canais artificiais da transposição: o
Eixo Norte e o
Eixo Leste. O Eixo Norte capta água nas proximidades de Cabrobó, em Pernambuco, e a conduz em direção ao Ceará, à Paraíba e ao Rio Grande do Norte, enquanto o Eixo Leste abastece áreas de Pernambuco e da Paraíba.
O segundo mapa detalha o trecho cearense. Nele observa-se que a água chega ao estado pela
Barragem de Jati, onde termina o Eixo Norte e se inicia o
Cinturão das Águas do Ceará (CAC). Esse canal artificial percorre
145,3 km, passando por Brejo Santo, Missão Velha, Barbalha e Crato, até alcançar
Nova Olinda, no Cariri.
A partir de Nova Olinda, a água deixa o canal artificial e passa a seguir pela rede hidrográfica natural. Ela é lançada na nascente do
Rio Cariús, que integra a bacia do
Rio Jaguaribe. Paralelamente, o
Rio Salgado, principal rio do sul do Ceará, também contribui para o Jaguaribe. Assim, a água transposta reforça toda a bacia hidrográfica do estado, chegando aos açudes
Orós e
Castanhão, os dois maiores reservatórios cearenses.
O mapa também destaca o
Ramal do Salgado, uma obra complementar que liga diretamente o Eixo Norte à bacia do Rio Salgado, ampliando a capacidade de distribuição da água para o interior do estado.
Em conjunto, essas obras formam um sistema integrado de engenharia hidráulica. A água percorre centenas de quilômetros desde o Rio São Francisco, atravessa Pernambuco pelo Eixo Norte, entra no Ceará pela Barragem de Jati, é distribuída pelo Cinturão das Águas ao Cariri e, em seguida, passa a alimentar os rios Cariús, Salgado e Jaguaribe. Dessa forma, beneficia diretamente o abastecimento humano, a irrigação, a atividade industrial e a segurança hídrica de grande parte do Ceará, reduzindo a dependência das chuvas em uma das regiões historicamente mais afetadas pela seca no Brasil.
Rio artificial com mais de 145 km construído para levar água a uma das áreas mais secas da região deixa cientistas e engenheiros incrédulos