
Os dados do Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf) mostram que o aumento da escolaridade está fortemente associado a níveis mais elevados de alfabetismo.
No conjunto da população brasileira de 15 a 64 anos, 29% são classificados como analfabetos funcionais. Entre aqueles que concluíram o ensino superior, essa proporção ainda é de 12%, aproximadamente um em cada oito. Considerando toda a população pesquisada, 36% estão no nível elementar e 35% apresentam alfabetismo consolidado.
No recorte por escolaridade, o contraste é bastante claro. Entre aqueles que não estudaram, 98% estão em situação de analfabetismo funcional. Entre os que estudaram até o 5º ano, são 78%. A proporção cai para 43% entre quem chegou ao 9º ano, para 17% entre quem completou o ensino médio e para 12% entre os que concluíram o ensino superior. Ao mesmo tempo, o alfabetismo consolidado cresce de apenas 2% entre quem não estudou para 61% entre os graduados.
No Inaf, analfabetismo funcional reúne os níveis Analfabeto e Rudimentar. São pessoas que apresentam grandes limitações para utilizar leitura, escrita e matemática em situações cotidianas. O nível Elementar corresponde a quem já consegue compreender informações em textos de média extensão, fazer pequenas inferências e interpretar gráficos e tabelas simples, mas ainda apresenta limitações diante de tarefas mais complexas. O alfabetismo consolidado reúne os níveis Intermediário e Proficiente, caracterizados por maior autonomia para interpretar textos, relacionar informações, compreender argumentos, resolver problemas e utilizar dados quantitativos.
Mesmo nos níveis mais altos de escolaridade, porém, a conclusão de uma etapa de ensino não assegura, por si só, o desenvolvimento pleno dessas competências. O dado mais expressivo é que 12% dos que concluíram o ensino superior ainda são classificados como analfabetos funcionais.
Fonte: Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf), edição 2024, com dados divulgados por O Globo em 6 de maio de 2025.
Um em cada oito brasileiros com ensino superior completo é analfabeto funcional, aponta pesquisa