Eu já falei várias vezes por aqui que meu objetivo de vida como pai é conversar com meu filho.
É uma propósito por motivos pessoais, que foi decidido ainda na gravidez e começou tão logo ele saiu da barriga da mãe.
Dentre tantos motivos, um deles é uma das coisas que as pessoas mais tem medo hoje em dia: o sistema de recompensa do cérebro.
Um termo que geralmente aparece associado a vícios, redes sociais, algoritimos problemas e o fim do mundo. Sendo que não tem nada disso, para um leigo, a melhor forma de entender o sistema de recompensas é pensar na cola que junta duas coisas, no caso, as ações e o que acontece do lado de fora da pessoa.
O cérebro, seja lá o que ele for e como ele funcione, só existe para interagir com o mundo externo. Toda a biologia de tudo que é vivo existe em uma relação direta e contínua com o que existe fora do corpo (ou da célula, tanto faz o tamanho do objeto de estudo).
O sistema de recompensas humano é só um dos diversos mecanismos dos seres vivos que cumpre a função de criar uma relação entre uma cadeia de processos do corpo e aquilo que acontece do lado de fora.
O que acontece do lado de fora do corpo depois de uma ação é no mínimo tão importante quanto o que acontece no corpo.
Não existe vida sem um lugar em que se vive.
Nesse estudo, que é bem inicial, mas com resultados bastante interessantes, fica claro que a mera exposição de crianças a linguagem tem um efeito muito menor em alterações no cérebro do que responder a criança.
Beyond the 30-Million-Word Gap: Children’s Conversational Exposure Is Associated With Language-Related Brain Function - PMC
Ou seja, falar perto da criança, ou simplesmente a criança falar muito tem pouca ativação cerebral em relação a responder a criança em uma conversação contínua.
As maiores correlações positivas em desenvolvimento infantil relacionados a linguagem ocorreram em crianças que tinham mais tempo de conversação com adultos.
O sistema de recompensas também funciona para o bem, se o bem estiver lá para ele atuar.
O que é falado com a criança em resposta a ela, e o que é feito em resposta ao que ela faz é muito importante.
Eu me preocupo muito pouco com os inimigos imaginários que as pessoas tanto gostam de criar porque eu sei que apesar da infinitudes de fatores riscos que existem no mundo, nós precisamos de poucos fatores de proteção, como já expliquei no link abaixo:
Dinheiro não traz felicidade - O filme. #PAS - Bastter.comEu me preocupo pouco ou quase nada com redes sociais, e me preocupo muito com o que o meu filho recebe da minha relação com ele, de como isso está "colando" na cabeça dele. Eu me preocupo com uma criança que só tem a rede social para conversar.
Eu me preocupo se o "sistema de recompensas" dele colou que as ações dele perto de mim levam a brigas, críticas, ou qualquer coisa que leve ele ao medo, a se afastar de mim. Que deixem ele ter que viver sozinho o vazio das limitações infantis em um mundo que para ele é caótico.
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Para quem acha que isso é ser pai frouxo, também já fiz post sobre isso:
Sobre parentalidade positiva: #PAS - Bastter.com---
Vícios adoram vazios. Vícios tomam conta dos espaços vazios da vida que somos incapazes de preencher, como eu expliquei várias vezes nesse post:
Quando ganha é pior #PAS - Bastter.comEu não tenho medo das coisas. A vida sempre teve coisas. Eu tenho medo do vazio, foram muitos anos de construção humana para descobrirmos como preencher os vazios.
É por isso que eu converso com meu filho, para que ele não fique sozinho no vazio. Nos meus delírios, mesmo depois que eu morrer, eu espero que todas as nossas conversas preencham o vazio suficientemente e ele nunca esteja sozinho. Eu não me preocupo com redes socias, o meu medo é que ele seja tão sozinho, em um vazio tão grande que o único amigo dele seja uma rede social.
Assim como em questões de emagrecimento, ansiedade, e tantos outros problemas humanos, hoje nós sabemos o efeito positivos de ações simples que tem impactos imensos.
Então fica a dica, antes de fritar com os inimigos imaginários, criar uma cruzada contra as redes sociais, se perder em discursos delirantes sobre a falência dos jovens...
Você já tentou conversar com seu filho?