Em 1996, um investimento de
R$ 17.149, equivalente a aproximadamente
R$ 100 mil em valores de 2026, distribuído igualmente entre 19 ações que permanecem no Ibovespa, teria se transformado, 30 anos depois, em cerca de
R$ 2,4 milhões, em valores reais e líquidos, já descontados a inflação e o Imposto de Renda. Segundo o levantamento da consultoria Elos Ayta reproduzido pelo UOL, essa carteira acumulou
rentabilidade líquida real de 2.316%, multiplicando o patrimônio aproximadamente 24 vezes.
Esse valor não foi aplicado integralmente em cada ação dentro da carteira. Os R$ 17.149 foram divididos igualmente entre as 19 ações. Em poder de compra de 2026, seria o equivalente a distribuir R$ 100 mil entre elas.
Separadamente, para comparar o desempenho individual, o levantamento também calculou quanto teriam se tornado os mesmos R$ 17.149, equivalentes a R$ 100 mil atualizados, caso fossem aplicados integralmente em cada uma das ações.
O cálculo considera
o reinvestimento dos proventos e apresenta os resultados em termos reais e líquidos, com desconto da inflação e do Imposto de Renda.
O desempenho foi muito diferente de uma ação para outra. Considerando uma aplicação inicial equivalente a R$ 100 mil em cada uma, os valores finais e os respectivos retornos reais líquidos acumulados foram:
Gerdau (GGBR4): R$ 8.127.046 - +8.027%
Petrobras ON (PETR3): R$ 5.945.719 - +5.846%
Itaúsa (ITSA4): R$ 5.550.490 - +5.450%
Itaú (ITUB4): R$ 5.488.749 - +5.389%
Petrobras PN (PETR4): R$ 4.002.291 - +3.902%
Vale (VALE3): R$ 3.530.911 - +3.431%
Metalúrgica Gerdau (GOAU4): R$ 3.165.202 - +3.065%
Marcopolo (POMO4): R$ 3.154.023 - +3.054%
Ambev (ABEV3): R$ 1.930.212 - +1.830%
Bradesco (BBDC3): R$ 1.658.932 - +1.559%
Cemig (CMIG4): R$ 1.596.987 - +1.497%
Bradesco (BBDC4): R$ 1.569.004 - +1.469%
CSN (CSNA3): R$ 1.527.242 - +1.427%
Banco do Brasil (BBAS3): R$ 1.299.683 - +1.200%
Copel (CPLE3): R$ 1.217.411 - +1.117%
Telefônica Brasil (VIVT3): R$ 1.125.864 - +1.026%
Axia (AXIA3): R$ 353.505 - +253,5%
Usiminas (USIM5): R$ 265.567 - +165,6%
Braskem (BRKM5): R$ 100.494 - +0,5%
Os valores finais acima são os números exatos publicados pelo UOL. Os percentuais foram calculados a partir deles, tomando R$ 100 mil como base inicial.
No caso da Braskem, então denominada Copene no início do período, o investimento praticamente apenas acompanhou a inflação depois do Imposto de Renda. Ainda assim, nenhuma das 19 ações terminou com perda real quando se considera o reinvestimento dos dividendos. Posteriormente ao período principal analisado na matéria, a situação financeira da Braskem se deteriorou. Em agosto de 2026, seu Conselho de Administração aprovou o ajuizamento de pedido de
recuperação extrajudicial, destinado à reestruturação financeira da companhia. As dívidas envolvidas chegavam a aproximadamente
US$ 10,9 bilhões. Essa informação é posterior ao estudo da Elos Ayta e serve apenas como contextualização da situação atual da empresa.
A comparação com a renda fixa também é relevante. Uma aplicação rendendo
100% do CDI teria apresentado ganho líquido real de
587% no mesmo período, transformando o equivalente a R$ 100 mil em aproximadamente
R$ 687 mil, também depois da inflação e do Imposto de Renda. Das 19 ações analisadas,
16 superaram o CDI. Apenas Axia, Usiminas e Braskem ficaram abaixo desse referencial.
O estudo mostra ainda a importância dos dividendos e do tempo. Ao reinvestir os proventos durante três décadas, o investidor acumula novas ações e passa a receber rendimentos também sobre o patrimônio formado anteriormente. Esse
efeito de composição contribui para que diferenças de rentabilidade se tornem enormes ao longo de períodos muito longos.
Há, porém, uma ressalva essencial: as 19 ações analisadas são justamente aquelas que permanecem no Ibovespa depois de pelo menos 30 anos de negociação. Muitas outras companhias que existiam em 1996 deixaram o índice ou desapareceram. Por isso, o próprio UOL ressalta que esses resultados não significam que qualquer carteira montada naquele momento teria obtido desempenho semelhante, nem constituem indicação de que essas ações repetirão os mesmos retornos no futuro.
A principal conclusão é que
o longo prazo pode produzir resultados extraordinários, especialmente quando há reinvestimento dos proventos e permanência em empresas que conseguem sobreviver e prosperar durante décadas. Ao mesmo tempo, os números deixam claro que apenas permanecer investido não garante altos retornos: entre as próprias ações sobreviventes, houve uma diferença enorme entre multiplicar o poder de compra por mais de 80 vezes, como ocorreu com a Gerdau, e praticamente apenas preservar o capital real, como ocorreu com a Braskem.
O tempo potencializa os resultados, mas a qualidade e o desempenho das empresas continuam sendo decisivos.
Fonte: UOL Economia, com dados da consultoria Elos Ayta.
https://economia.uol.com.br/mais/colunas/silvio-crespo/2026/06/16/em-30-anos-principais-acoes-transformaram-r-100-mil-em-r-24-milhoes.htm