Boa tarde pessoal, encontrei um paper interessante e trouxe aqui para conhecimento e debate.
O estudo utiliza um conjunto de dados financeiros abrangentes que contém os retornos históricos de ações nacionais, ações internacionais, títulos do onrevoG (bonds) e letras do onrevoG (bills).
Em resumo, os autores utilizaram dados de 39 países no período de 1890 a 2023. A principal fonte desses dados financeiros é o
GFDatabase, fornecido pela
Global Financial Data (GFD).
Ao final as duas principais conclusões acadêmicas foram:
I. A alocação ideal é 100% em renda variável, independentemente da idade do investidor (desmitificando a lenda de que quanto maior a idade menor deve ser a exposição à renda variável).
II. A alocação deve ser dividida em 1/3 no país de origem do investidor e 2/3 no exterior independente do país de origem.
Essa estratégia (totalmente em ações e diversificada internacionalmente) supera de forma substancial as estratégias convencionais de divisão entre renda fixa e renda variável, bem como de exposição total ao país de origem ou, na outro oposto, de exposição total ao exterior.
A estratégia demonstrou resultados superiores na construção de patrimônio, na preservação do capital no longo prazo, no suporte à renda durante a aposentadoria e maior patrimônio final.
Obviamente que para a estratégia funcionar o investidor deve aguentar a volatilidade da renda variável, pois do contrário a venda nos fundos ao longo do tempo iriam destruir o patrimônio, tornando a estratégia pior no longo prazo. O estudo é importante para demonstrar que a renda fixa realmente, no máximo, preserva o capital, não o fazendo crescer. Contudo, repito, o investidor deve suportar a volatilidade e manter apenas o que realmente aguenta, sob pena de ter um resultado final inferior ao girar patrimônio nas quedas.
Achei igualmente interessante a necessidade de manutenção de 1/3 no país de residência, já que aqui é que ocorrem os gastos em moeda local, o que protege de ciclos de valorização da moeda corrente frente às demais (ex: ciclo de valorização do real nos anos 2000).
Link para o estudo:
https://papers.ssrn.com/sol3/papers.cfm?abstract_id=4590406