A Morningstar realiza anualmente o estudo Mind the Gap, que mede a diferença entre o retorno dos ETFs e o retorno efetivamente obtido pelos investidores nesses produtos. Essa diferença, conhecida como investor return gap, surge principalmente porque o investidor compra e vende em momentos diferentes, enquanto o retorno do ETF considera a permanência no investimento durante todo o período.
Nas janelas móveis de 10 anos, essa diferença aparece de forma recorrente. Em todas as três janelas recentes analisadas, o investidor médio obteve retorno inferior ao dos próprios ETFs.
Em resumo:
2014-2023: investidor 6,9% a.a. | ETFs 8,0% a.a. | diferença 1,1 p.p. a.a.
2015-2024: investidor 7,8% a.a. | ETFs 9,5% a.a. | diferença 1,7 p.p. a.a.
2016-2025: investidor 9,5% a.a. | ETFs 11,2% a.a. | diferença 1,6 p.p. a.a.
Essa diferença anual pode parecer pequena, mas o efeito acumulado é relevante. Se uma pessoa tivesse investido
US$ 1.000 por mês entre 2016 e 2025, teria aportado US$ 120 mil no período. Com retorno médio de
9,5% ao ano, teria chegado aproximadamente a
US$ 194,7 mil. Com retorno médio de
11,2% ao ano, o patrimônio seria de cerca de
US$ 212,8 mil. A diferença seria de aproximadamente
US$ 18,1 mil, equivalente a cerca de
8,5% do patrimônio final.
Os números mostram que decisões de entrada e saída, trocas frequentes e mudanças de estratégia podem reduzir o retorno efetivamente recebido pelo investidor.
O ponto central é simples: o ETF pode acompanhar bem o índice de referência, mas o investidor, por decisões de compra, venda e mudanças de estratégia ao longo do tempo, nem sempre acompanha bem o próprio ETF.
Fonte: Morningstar, estudo Mind the Gap.
https://www.morningstar.com/business/insights/research/mind-the-gap