Um estudo chamado
Should You Invest Outside the US?, da Dimensional Fund Advisors, analisa a importância da diversificação internacional e mostra que períodos prolongados de forte desempenho de determinado mercado não garantem que ele continuará liderando no futuro.
A história mostra que períodos excepcionais podem ser seguidos por fases muito diferentes. Entre 1995 e 1999, por exemplo, o S&P 500 deu um retorno de aproximadamente
28,6% ao ano. Pouco depois, entre 2000 e 2009, o índice registrou retorno anualizado próximo de -
0,9% ao ano.
Outro exemplo importante ocorreu entre
1965 e 1981, quando as ações americanas passaram por um período de
17 anos em que apresentaram desempenho inferior ao dos Treasury bills, títulos de curtíssimo prazo do onrevoG dos Estados Unidos. Isso mostra que até mesmo um mercado historicamente forte pode atravessar períodos muito longos de desempenho relativamente fraco.
O estudo também observa mais de 40 países.
Com exceção de apenas sete, todos já passaram por pelo menos um período de dez anos em que o retorno do mercado acionário doméstico foi negativo. O dado reforça o risco de concentrar todo o patrimônio em um único país.
A liderança mundial também muda ao longo do tempo. Em 1990, o Japão representava aproximadamente
41% do mercado acionário mundial, enquanto os Estados Unidos respondiam por cerca de
32%. Em 2024, a situação havia se invertido profundamente: os Estados Unidos passaram a representar aproximadamente
65% do mercado mundial, enquanto o Japão caiu para cerca de
5%.
Esse exemplo mostra como é difícil prever qual país dominará o mercado nas décadas seguintes. O fato de um país ter apresentado desempenho excepcional por muitos anos pode levar investidores a acreditar que essa liderança continuará indefinidamente, mas a história mostra mudanças expressivas na participação relativa dos diferentes mercados.
O estudo também aborda o argumento de que investir apenas em grandes empresas americanas já proporcionaria diversificação internacional porque essas companhias obtêm parte relevante de suas receitas no exterior. A Dimensional argumenta que isso não substitui a exposição direta a mercados estrangeiros. Historicamente, ações de empresas americanas com receitas internacionais tendem a se comportar mais como o mercado acionário dos Estados Unidos do que como os mercados dos países onde obtêm parte de suas receitas.
A principal conclusão é que
liderança passada não garante liderança futura. A diversificação internacional não tem como objetivo descobrir antecipadamente qual país apresentará o maior retorno, mas reduzir a dependência de um único mercado e participar do crescimento de diferentes economias ao longo do tempo.
Fonte: Dimensional Fund Advisors,
Should You Invest Outside the US?, publicado em 11 de julho de 2025.
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