Lí este tópico e achei muito pertinente com o que já discutimos por aqui algumas vezes e bate muito com algo que eu sempre defendi.
Não confunda trabalho com paixão, diz Scott Galloway | Brazil JournalEu, como todo millenial brasileiro de classe média, fomos criados numa atmosfera única da transição do mundo analógico para o digital, num período de relativa estabilidade econômica devido ao plano real e com ganho na qualidade de vida média da população.
Isso fez com que muitos de nossos pais, alguns baby boomers ainda e outros da geração X, criaram os filhos como a mídia/escolas/bullshit orientavam na cartilha "politicamente correta" que estava começando:
"Seu filho tem que fazer o que gosta, para ser feliz!".
Entendam o seguinte, felicidade é um conceito muito amplo. Não é palpável, não estocável, é momentânea, alguns terão mais ou menos. Porém é importantíssimo destacar: felicidade independe de profissão.
Dinheiro também não trás felicidade. A falta de dinheiro sim, traz MUITA infelicidade. Muitas das maiores mazelas humanas ocorrem pela falta do dinheiro, então sim você precisa ter dinheiro para atingir um patamar de vida confortável que te permita executar outras atividades buscando ser feliz (ir ao cinema, teatro, namorar, etc). Isso vem da pirâmide de Maslow.
Portanto, o objetivo deste tópico é provocar a discussão sobre felicidade e escolha profissional. Escolher uma profissão para ser feliz não irá te deixar feliz. Pelo contrário, se você gostar muito daquilo você poderá odiar à partir do momento que se torne trabalho.
Bom exemplo são os jogadores profissionais de E-Sports, que começaram numa atividade prazerosa e que não sentem mais "prazer" em jogar devido às cobranças. Esportes também é algo parecido, mas como uma rotina de exercícios desenvolvem sensação de bem estar isso é menos perceptível como no E-Sports.
Também é um equívoco escolher uma profissão exclusivamente pensando na remuneração. Vejo isso com muitos e muitos colegas. Isso é extremamente danoso para a pessoa e para seus pacientes. Muitos amigos médicos fizeram esta escolha pensando na remuneração. Fizeram inclusive algumas especialidades que não tinham qualquer afinidade exclusivamente por este motivo. O que eu vejo é: nenhum dos fizeram esta escolha são felizes. Vivem reclamando, se sentem "explorados", reclamando de tudo e todos, frequentemente estão em burnout (pois se matam de trabalhar buscando a felicidade) e infelizmente isso reproduz em iatrogenias absurdas que vemos por aí.
Não to falando que profissão tem que ser "dom", mas tem que ter duas coisas ao meu ver:
1 - Afinidade. Não adianta ser médico e "não gostar de pessoas", é uma profissão onde você terá MUITO contato com outros seromanos então não faz sentindo escolher se você tem aversão à pessoas (mesmo em radiologia/anestesia existe contato). Mesma coisa que você querer ser professor de educação física se odeia esportes/atividade física ou querer ser programador se odeia ficar sentado no computador.
2 - Dedicação. Se você tiver afinidade e você se dedicar à sua profissão, invariavelmente uma hora sua sorte vai trombar com a oportunidade e fazer negócio. Então descoberta a afinidade > trabalhe trabalha e trabalhe!! Foque em ser o melhor, sempre, sem exceção.
Você irá conseguir ir muito longe se você tiver este pensamento. E bate muito com o que o @bastter fala: crise, corra, faça. Só pega o ônibus que estiver no ponto esperando.
É isso amigos, desculpem pelo textão, prometo ser o último deste ano