Gostaria de compartilhar um pensamento curioso que surgiu enquanto lia o livro do Gabriel Garcia Marquez "Viver para Contar". Seria algo a discutir com o Carlito, mas acredito que ele já não leia meus comentários pq... Bem, sobre isso, li ontem uma citação do Nelson Rodrigues bastante motivadora: "O artista deve ser considerado um gênio para uns, um imbecil para outros, mas melhor seria ser considerado imbecil por todos". Bem, se de fato eu for um artista, devo ter superado todos os meus pares até o momento (muito obrigado pela revelação, Nelson Rodrigues).
Bem, sobre o Gabriel, ele era capaz de recitar se cor várias poesias e vários trechos de romances que tinha lido, inclusive os usando para dar respostas aos familiares e professores. Entretanto, na hora de escrever, ele cometia diversos erros gramaticais e ortográficos. Isso me fez pensar: ao nos comunicarmos, usamos diversas unidades de pensamentos pré-moldadas (palavras) que não correspondem nem de perto aquilo que estávamos pensando, chegando na melhor das hipóteses a aproximações grosseiras.
Por outro lado, há diversas unidades de pensamentos, como amor e felicidade, que certamente eu não interpreto nem tal qual a palavra original nem tal qual outros pessoas além de mim interpretam...
Em suma, há uma incongruência insuperável entre nossos pensamentos e a linguagem que usamos para nos expressar. O simples fato de conhecermos determinada língua já altera a criação desse nosso pensamento. Pondo de outro modo, se nosso pensamento fosse um pássaro, temos dificuldade de pensarmos nele fora de uma jaula linguística e, para expressar esse pássaro para outras pessoas, devemos desmembrá-los em várias gaiolas que são unidades de medidas chamadas palavras e juntá-las sucessivamente para que outros tentam visualizar o pássaro original que voava em minha cabeça. Certamente o pássaro que surgiu na cabeça de quem leu (pressupondo que alguém realmente leu esse devaneio) é totalmente diferente do pássaro original que surgiu na minha mente...
Desculpem o incômodo. Gostaria de compartilhar isso com alguém, mas até momento só consegui completar o raciocínio para a mimha esposa e ela concluiu tudo com uma pergunta: "Será que você é normal?" ?? Bem, é isso. Se pudermos seguir com uma discussão saudável sobre o tema, apreciaria muito. Abs e boa noite a todos!