Uma das coisas mais importantes que aprendi com o passar dos anos foi perceber que não preciso corrigir os outros, convencer ninguém de nada ou demonstrar que estou certo. Cada pessoa tem suas próprias convicções e maneiras de enxergar o mundo.
Nem toda discordância precisa se transformar em discussão. Na maioria das vezes, tentar mudar a opinião de alguém não produz resultado algum, pois pode ser interpretado como um ataque à sua identidade, além de consumir tempo e criar aborrecimentos desnecessários.
Lembro-me de um amigo com quem havia ficado muito tempo sem conversar. Certa vez, retomamos o contato e ele comentou que tínhamos opiniões opostas sobre determinados assuntos. Eu simplesmente disse que a vida era muito curta para brigar com amigos por causa desse tipo de coisa. Continuamos nos comunicando normalmente durante alguns meses.
No Carnaval de 2022, ele parou de responder às minhas mensagens. Pouco depois, um amigo em comum me contou que ele havia morrido em um acidente de automóvel em Sinop, Mato Grosso.
Esse episódio me marcou. Fiquei pensando em como teria sido absurdo desperdiçar aqueles últimos meses discutindo, tentando convencer um ao outro de alguma coisa que, diante do que aconteceu, não tinha a menor importância.
A vida é imprevisível e nunca sabemos quanto tempo ainda teremos com as pessoas de quem gostamos. Não faz sentido comprometer boas relações por divergências que, na maioria das vezes, não afetam concretamente nossa vida.
Hoje, considero uma demonstração de maturidade
permitir que os outros tenham suas próprias opiniões sem sentir necessidade de corrigi-los. Isso não significa concordar com tudo, mas compreender que nem toda opinião exige uma resposta.
Quando me lembro daquele amigo, fico satisfeito por termos preservado nossa amizade. Afinal,
estar em paz com as pessoas que estimamos vale muito mais do que vencer qualquer discussão.